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As dificuldades da inserção de jovens no mercado de trabalho

    Na obra “Admirável Mundo Novo”, escrito por Aldous Huxley, é retratada uma sociedade futurista extremamente organizada, em que seus habitantes passam por um pré-condicionamento biológico e psicológico, com a finalidade de definir, desde de seu nascimento, suas respectivas profissões. Fora da ficção, a situação dos jovens brasileiros pode ser representada pela dificuldade de ingresso no mercado de trabalho. Tal dificuldade é resultado de uma parcela acentuada de jovens com baixa escolaridade e de um sistema educacional ineficiente no que diz respeito à preparação desses jovens para o mundo do trabalho.


 



   Vale apontar, de início, que o mercado de trabalho brasileiro tem se tornado cada vez mais exigente, corroborando a importância da qualificação crescente da mão de obra. Nesse sentido, nota-se que os indivíduos que possuem alto nível de escolaridade estão mais propensos a conquistarem uma vaga no mercado de trabalho. No entanto, cumpre destacar o fato de que, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), 30% dos jovens de 15 a 17 anos estão atrasados ou fora da escola. Tal fato é especialmente grave, pois o mercado de trabalho tende a se especializar e, portanto, a excluir indivíduos com pouca escolaridade. Assim, infere-se que esse contingente significativo dos jovens, por não possuir qualificação suficiente, não encontra meios de iniciar o ingresso no mercado hodierno.


 



    Em segunda análise, é importante destacar que, atualmente, ter alguma experiência de trabalho é mais importante que a escolaridade. Nessa perspectiva, de fato, são os jovens os mais diretamente afetados pelo contexto adverso do mercado de trabalho, uma vez que, normalmente, já estão em situação de desvantagem devido às suas características específicas, como a falta de experiência. Nesse contexto, percebe-se que o sistema educacional vigente contribui para a postergação da entrada no mercado de trabalho, posto que o modelo de ensino utilizado, promove o ensinamento de matérias tradicionais, que não fornecem a base necessária para os jovens lidarem com o meio laboral, além de não prover a experiência que tanto é valorizada pelas empresas. Essa realidade encontra respaldo sociológico no pensamento do sociólogo Edgar Morin, que defende o conceito de pensamento sistêmico. Desse modo, para o estudioso, em vez da especialização das disciplinas, é necessário um movimento transdisciplinar, que possibilite uma interpretação mais integral do mundo, ao considerar as mais diversas redes de relações de causa e efeito.


 


    Portanto, diante do exposto, é imprescindível a adoção de medidas que visem facilitar a inserção dessa massa no mercado de trabalho. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação garantir, por meio da criação de projetos voltados para a educação de jovens que não puderam concluir o ensino fundamental e médio, o aumento da escolarização dessa parcela, com o fito de assegurar melhores chances e oportunidades de emprego. Ademais, urge que o ministério supracitado, mediante a reformulação da Base Nacional Comum Curricular, insira matérias que se relacionem com o mercado de trabalho, com o intuito de propiciar jovens mais preparados e experientes para esse meio. Só assim, todos os indivíduos brasileiros terão profissões como na obra “Admirável Mundo Novo”.

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