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As dificuldades da inserção de jovens no mercado de trabalho

Segundo a teoria da Tábula Rasa de John Locke, somos como uma folha em branco que, de acordo com o que vivemos, vai sendo preenchida e formando nossa bagagem de conhecimento e atributos. Nesse sentido, pode-se perceber que muitos jovens apresentam uma lacuna em suas folhas quando se trata de experiência adquirida pelo trabalho, pois, seja pelas desigualdades sociais, seja pela má qualidade da educação brasileira, muitos jovens não conseguem arranjar um emprego. Percebe-se, portanto, a necessidade de alterações nesse cenário.
Primeiramente, é preciso destacar que a desigualdade é fator determinante para que parte da população mais nova não arranje emprego. Com a grande exigência de experiência e qualificações pelas empresas, a população mais abastada consegue sustentar seus filhos por mais tempo enquanto eles adquirem bagagem intelectual para conseguirem os melhores cargos. Entretanto, os jovens de famílias mais pobres, majoritariamente pardos e negros, precisam, para complementar a renda da família, trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Assim, por não terem qualificações, quando conseguem um emprego, ficam com as piores vagas, em trabalhos informais e desgastantes, e muitas vezes param de estudar pela dificuldade de conciliar o emprego com os estudos. Esses fatos explicam as taxas de desemprego que, de acordo com dados do IBGE, é de 32% para pessoas de 18 a 24 anos, e chega a 52,3% para pardos.
Além disso, como resultado da precariedade da educação brasileira, 52% dos jovens perdem o interesse pelos estudos e podem ficar desempregados, conforme dados do Banco Mundial. Com o despreparo dos professores e a defasagem no modo de ensino, a escola não desperta o interesse e não estimula os alunos, que deixam de se esforçar e pensar no futuro. Dessa forma, a educação, que seria essencial para preparar o jovem para o emprego ? pois, para Immanuel Kant, "o homem é aquilo que a educação faz dele? -, não cumpre sua função, formando pessoas sem a carga de conhecimento, experiência, valores e maturidade necessária para a competição no mercado de trabalho.
Faz-se necessário, então, medidas para reverter a situação. Para que todos os jovens estejam preparados para entrar no mercado de trabalho, é necessária a democratização de uma educação de qualidade. Para isso, o governo pode investir uma parcela maior dos impostos arrecadados em educação, mais precisamente na criação de mais escolas politécnicas, na capacitação de professores, e na atualização do modo de ensino, inserindo tecnologias e métodos mais atrativos, o que poderia diminuir a evasão escolar e despertar mais interesse nos alunos, que passariam a se esforçar mais. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, pode promover palestras que incentivem os alunos e esclareçam a importância de uma formação adequada para a entrada no mercado de trabalho. Essas ações, em conjunto, podem ajudar na qualificação do jovem e, consequentemente, na melhora da situação de desemprego dos jovens brasileiros.
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