O CUPOM VOUPASSAR35 É VÁLIDO POR: dias horas minutos segundos

Arquitetura hostil e exclusão de pessoas em situação de rua

De acordo com o historiador Iain Borden, a gestão das grandes cidades vem dando cada vez mais espaço aos que chamam de cidadãos. Entretanto, no mundo contemporâneo, os indivíduos considerados cidadãos da república são aqueles que trabalham, pagam impostos e consomem. A partir dessa concepção, a arquitetura hostil começou a ser estruturada nos grandes centros, já que as instituições públicas constroem os espaços urbanos utilizando mecanismos que visam promover uma política higienista, como os espetos instalados em bancos e as pedras que são colocadas debaixo de viadutos. Esses recursos têm como objetivo excluir as pessoas em situação de rua, que não têm fonte de renda. Contudo, nota-se que a pobreza nesses locais é agravada e a discriminação contra esses indivíduos é intensificada, já que a arquitetura hostil alimenta as desigualdades sociais. Em vista disso, faz-se necessário discutir e analisar as consequências desse tipo de modelo arquitetônico no espaço urbano brasileiro.


Em uma entrevista, realizada pelo programa Fantástico, um ex-morador de rua conta as dificuldades que passou no momento em que morava debaixo de viadutos da cidade de São Paulo, ressaltando que o centro da cidade era o local onde conseguia se alimentar e obter alguma fonte de renda. Diante disso, observa-se que a arquitetura hostil é um dos fatores que intensificam a pobreza e impossibilitam muitos indivíduos de saírem da situação de rua, já que utilizam recursos para afastar essas pessoas das grandes cidades. Dessa forma, os moradores de rua que foram excluídos do espaço urbano encontram dificuldades para se alimentarem e conseguirem dinheiro. Portanto, o modelo arquitetônico implantado reforça o desinteresse das instituições públicas quanto a desigualdade e a pobreza em nosso país, posto que excluem os indivíduos que não têm poder de consumo e não pagam impostos, como se não fizessem parte da sociedade.


Em segundo lugar, é importante discutir de que maneira a arquitetura hostil intensifica a discriminação contra os indivíduos em situação de rua. Em 1948, na África do Sul, iniciou-se o regime conhecido como Apartheid, o qual privilegiou a elite branca e rica, excluindo os pobres e negros dos espaços públicos. Levando isso em conta, essa política estabelecida no continente africano pode ser observada no Brasil contemporâneo, já que as instituições públicas implantam um design arquitetônico que exclui moradores de rua do único espaço que esses podem utilizar. Então, é evidente que a arquitetura de exclusão reforça a discriminação contra os indivíduos em situação de rua, visto que privilegia somente aqueles que têm poder de compra. Nesse sentido, os moradores de rua não são vistos como parte da sociedade, sendo tratados como se fossem lixo que deve ser retirado das cidades.


Dado o exposto, conclui-se que a arquitetura hostil nas cidades brasileiras trata-se de um processo de limpeza e exclusão dos indivíduos que a sociedade não considera como cidadãos, por isso, são necessárias medidas para incluir essas pessoas. Logo, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social, responsável por promover a cidadania no país, desenvolver um projeto, a fim de retirar os principais elementos da arquitetura de exclusão, por meio de parcerias com as prefeituras das cidades que podem colocar a proposta em prática. Assim, a arquitetura hostil será eliminada dos centros urbanos, diminuindo a desigualdade e a discriminação em relação aos indivíduos em situação de rua, para que esses sejam realmente considerados cidadãos.


 

Ver todas as redações Corrija suas redações com a nossa plataforma! Clique aqui!