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Arquitetura hostil e exclusão de pessoas em situação de rua

 "Se eu bater na sua porta amanhã, você não vai me receber". Essa é a última frase do documentário “À margem da imagem”, que retrata, de forma contundente, a situação dos vulneráveis das vias públicas. Não distante das telas, nos dias atuais, no Brasil, edificações não amigáveis proliferam e afastam as pessoas domiciliadas nas ruas. Em razão disso, estão a falta de políticas públicas e egoísmo exacerbado das pessoas.  Em consequência disso, vê-se, a todo instante, perpetuidade da pobreza, abandono e "apartheid" social.


Em primeiro lugar, é notável que não há direcionamentos efetivos para a situação dos moradores de rua. Segundo David Harvy, geógrafo urbano, “o direito à cidade não é individual. É um direito coletivo de reinventar a cidade”. Sob esse viés, é fato que os municípios brasileiros carecem de leis e de alternativas para os mais pobres viventes nas vias públicas. Assim, lojistas, bancos e demais prédios residenciais colocam estruturas nas suas edificações para afugentar os indigentes em prol da segurança e da limpeza, mas isso é contraproducente. Por outro lado, uma discussão em grupo, com várias ideias para resolver essa questão, seria mais vantajosa para todos os munícipes, ao invés de construções ultrajantes.  Dessa forma, os moradores de rua podem sair da invisibilidade para ter sua cidadania garantida e a arquitetura ficaria mais convidativa e mais simpática.


Em segundo lugar, a sociedade contemporânea é ególatra. Parafraseando a antropóloga Jamile Borges, há necessidade de acolher pessoas em lugar de silenciar projetos e histórias de vida.  Nessa perspectiva, existe uma espécie de cegueira coletiva para a dor e para a pobreza do outro, em especial, dos moradores de rua. Esse fato pode ser vislumbrado no design de praças, de fachadas e de viadutos, que buscam repelir os residentes dos locais públicos. Desse modo, não se produz laços de solidariedade e persiste a injustiça social.


Evidencia-se, portanto, que arquitetura urbana e inclusão de pessoas em situação de rua constituem desafios a superar. Assim, cabe aos governos municipais, por meio de leis e de investimentos, com um planejamento adequado, aumentar o número de leitos nos albergues com tratamento médico, objetivando dar abrigo e cuidar da saúde das pessoas. Além disso, é de suma importância que empresas forneçam emprego para esse grupo desamparado e sejam impedidas de estruturar seus edifícios com itens de repulsão de indivíduos. Dessa maneira, as histórias de vida e de arquitetura serão valorizadas.


 


 


 

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