O desconto do plano APROVADO EM 2021 termina em: dias horas minutos segundos

Arquitetura hostil e exclusão de pessoas em situação de rua

                                             A superficialidade como política pública


De acordo com o artigo 6º da Constituição federal de 1988, compete à União, estados e municípios assegurar o direito à moradia, inerente a todos os cidadãos. No entanto, no cenário atual, exemplos como a arquitetura hostil nas cidades evidenciam a política higienista dos governos, a qual fere a carta magna e marginaliza ainda mais os moradores de rua. Tal problemática é resultado da ineficiência dos órgãos públicos no que tange à elaboração de políticas públicas e da mentalidade segregacionista de parte da sociedade brasileira. 
 Em primeiro lugar, é importante pontuar que a arquitetura hostil promovida pelos estados agrava o problema dos desabrigados, uma vez que ao dificultarem a presença desses indivíduos no espaço público, mitigam os efeitos, sem se preocuparem com a causa da presença deles em tais ambientes. Isso, porque, segundo o sociólogo Peter Townsend, os pobres são excluídos dos padrões de vida comuns e privados até mesmo de direitos básicos, como a moradia, nesse caso. Sendo assim, muitos procuram a rua como um espaço de acolhimento e ao se depararem com essa forma de exclusão, acabam ficando totalmente desamparados. Dessa forma, fica evidente a preocupação dos órgãos públicos em esconder os efeitos de sua própria negligência, uma vez que a existência de políticas públicas como albergues para moradores de rua, é restrita, quando não inexistente. 
  Ademais,  a presença de uma mentalidade excludente em parte dos cidadãos faz com que haja uma segregação cada vez maior perante os indivíduos desfavorecidos. Um exemplo disso, ocorreu na cidade de São Paulo, após a colocação de pedras para impedir desabrigados de se instalarem debaixo de um viaduto ter repercutido de forma negativa, a Prefeitura veio a público e atribuiu a iniciativa a um único funcionário, responsável pela ideia. Uma tese do antropólogo Roberto Damatta, busca explicar atitudes como essa. Para ele, na rua, a vergonha da desordem não é vista pelo indíviduo como sua responsabilidade, pois esse cuida somente de sua casa e não se identifica com o espaço público. Assim, é evidente que o pensamento de cada cidadão é de suma importância para o agravamento ou resolução da problemática. 
Por fim, considerando os fatos acima, faz-se necessária a criação de medidas que busquem solucionar o problema da arquitetura hostil atrelada a exclusão dos moradores de rua. Para tanto, é mister que a União promova ações sociais como a construção de novas moradias para esses indivíduos, por meio do envio de verbas aos estados e municípios, de modo a proporcionar condições de vida dignas. Além disso, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável por promover o ensino no país- a alteração da Base Nacional Comum Curricular, por meio da inserção de aulas sobre as desigualdades sociais no conteúdo de sociologia, a fim de esclarecer os cidadãos desde a tenra idade acerca das diferentes realidades presentes na sociedade brasileira. Quiçá, assim, a Constituição federal será realmente respeitada no Brasil. 

Ver todas as redações Corrija suas redações com a nossa plataforma! Clique aqui!