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Ansiedade e depressão em tempos de pandemia

A pandemia da ansiedade


   Em 1929, a quebra da bolsa de valores desencadeou uma onda de suicídios em Nova York. A sensação de imprevisibilidade perante a recessão econômica foi o gatilho para o desenvolvimento de transtornos neuróticos em parte da população. Paralela a essa crise, a pandemia provocada pelo novo coronavírus revelou mais uma vez que o ser humano, ao menos emocionalmente, não possui anticorpos. Mudanças no cotidiano das pessoas, perdas financeiras e políticas públicas ineficientes estão intrinsecamente relacionadas ao desenvolvimento de quadros clínicos como ansiedade e depressão.


   No contexto da prevenção ao vírus, o isolamento social provocou mudanças no cotidiano da população, havendo um estreitamento das relações humanas e do funcionamento do comércio. Concomitante a esse processo, ocorreu um fenômeno maciço de perdas, como de empregos e propriedades. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em abril de 2020 a taxa de desemprego foi de 12,2%, atingindo 12 milhões de pessoas.  Comerciantes locais, por exemplo, viram o exaurimento de seus recursos, crescendo a necessidade de se reinventarem perante a nova realidade econômica caótica que emerge.


   Além disso, a inexistência de políticas públicas consonantes entre os órgãos nacionais impulsionou a imprevisibilidade a que esses indivíduos estão expostos. Recomendações que mudam de um dia para o outro, o medo de se contagiar, a quarentena prolongada e as perdas financeiras culminaram no sentimento de frustração e estresse. De tal forma, evidenciou-se a importância da atuação conjunta do governo federal, governadores e prefeitos, por exemplo, nos trabalhos de combate e prevenção ao patógeno, evitando o pânico generalizado ao garantir à sociedade o controle da situação.


   Portanto, é fundamental que medidas sejam tomadas a fim de mitigar os impactos mentais em tempos caóticos. Cabe ao Ministério da Economia, por meio de verbas governamentais, coordenar, para desempregados e microempreendedores, apoio financeiro, que cubra suas perdas no referido período. Simultaneamente, é função do Ministério da Cidadania, em parceria com a mídia, promover campanhas de prevenção ao suicídio e ampliar canais de comunicação para indivíduos que estejam passando por crises de ansiedade e depressão. Somente assim é possível evitar o desencadeamento de transtornos mentais em momentos de recessão e a evolução para casos mais graves, tal como na Crise de 1929.

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