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A reinserção de ex-presidiários na sociedade brasileira

     "O homem na estrada recomeça sua vida, sua finalidade? A sua liberdade, que foi perdida, subtraída e quer provar a si mesmo que realmente mudou, que se recuperou e quer viver em paz, não olhar para trás, dizer ao crime: nunca mais". Nesse viés, o trecho aludido é da música "Homem na estrada", do Racionais MC's, o qual os músicos retratam a tentativa de reinserção de um ex-presidiário na sociedade brasileira. Desse modo, alheio ao âmbito fonográfico, um ex-detento encontra extrema dificuldade para retomar sua vida após cumprir sua sentença, pois, o sistema carcerário funciona como uma oficina do crime e um indivíduo que já foi privado da sua liberdade recebe estigmas escabrosos da população.


     Mormente, o sistema carcerário brasileiro mostra-se como uma escola para especializar os presos em crimes de maior periculosidade. Nesse sentido, o verso "Meu mano ficou privado uns dois anos, sua mãe te visitando uns dois anos, aquilo ali conserta alguém? Tá brincando, entrou obedecendo e saiu mandando", é do cantor Bk em sua música "Castelos e ruínas", o qual o artista demonstra de maneira metafórica a metamorfose maléfica que acontece nos presídios nacionais. Além disso, em "Vigiar e punir", de Michel Foucault, o filósofo demonstra como as cadeias são feitas para torturar e matar os detentos, mas tangenciam totalmente sua função primária de ressocialização. Logo, frente o fragmento musical e ao livro supracitado, nota-se como aumenta exponencialmente a dificuldade de reinserção de um ex-presidiário na sociedade, em razão do aliciamento que ocorre nas prisões e que culminam em uma entrada profunda e definitiva no âmbito criminal, como foi demonstrado no verso de Bk.


     Ademais, uma pessoa que já fez parte da massa carcerária é alvo de discriminação rotineiramente. Sob tal ótica, a fala "Eu cheguei a ir em lugares para pedir emprego e me tiraram de lá, você não é visto como pessoa, você é visto pelos seus crimes, mesmo que você já tenha pago por eles", é do ex-detento Ricardo em uma reportagem exibida pelo canal Câmara de São Paulo. Outrossim, o trecho "no meu ponto de vista, a sociedade nos vê como um bando de animais, por que a gente não tem oportunidade, a gente tem passagem, tem o nome sujo, qualquer lugar que a gente
vai ninguém quer a gente ali, acham que a gente tem que mofar na cadeia", faz parte do documentário "Ex-detentos, desigualdade e realidade" e pertence ao ex-presidiário Leonardo. Com isso, diante de duas falas deploráveis, transparece que a passagem pela cadeia deixa marcas perpétuas na vida dos indivíduos, porquanto os estigmas lhes acompanharam independente do itinerário em que se encontram, o que prejudica de maneira considerável a reinserção de um cidadão que já fez parte do sistema carcerário na sociedade brasileira.


     Portanto, ações fazem-se necessárias para aumentar a probabilidade de ressocialização dos ex-detentos no Brasil. Para que a população tenha consciência da problemática, urge que o Ministério da Justiça em parceria com o Ministério da Cidadania, por meio de verbas governamentais, realize oficinas artísticas e promova cursos profissionalizantes nas cadeias, ambas opções devem fornecer certificados de realização e qualificação para os presos que participarem. Dessa forma, o presidiário irá aprender uma profissão e isso aumenta a possibilidade de reinserção na sociedade após cumprir o seu tempo de reclusão. Somente assim, o quadro atual será sanado, evitando que a incerteza de mudança retratada em "Homem na estrada" aconteça novamente. 


 

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