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A reinserção de ex-presidiários na sociedade brasileira

A série documental "Por dentro das prisões mais severas do mundo" retrata o dia a dia das cadeias mais violentas existentes. Em um episódio especial, o apresentador Paul Connolly mostra um centro penitenciário alemão que possui elevado grau de ressocialização devido à grande qualidade de vida que os presidiários possuem. No entanto, no Brasil, percebe-se que a reinserção de ex-detentos ainda é uma realidade distante — seja pela falta de verbas destinadas às cadeias, seja pelas condições inóspitas que os presos estão sujeitos.


Vale ressaltar, em primeiro plano, que a precarização das unidades prisionais dificulta a reinserção. Isso ocorre por conta do pensamento enraízado na sociedade que a prisão é apenas um espaço punitivo, sem qualquer função social. Com isso, entidades públicas e autoridades investem com menor intensidade na infraestrutura das cadeias, com a finalidade de tentar punir adequadamente o detento que, aos poucos, é coisificado. Nesse sentido, a população se sente representada, haja vista a ideia que parte do senso comum que as penas são brandas demais, culminando na perpetuação dessa realidade dos presos.


Além disso, a falta de lazer e oportunidades dentro dos presídios fomenta a reincidência. Para José Ortega Y Gasset, importante filósofo espanhol, o indivíduo é influenciado pelo meio. Nesta perspectiva, os detentos que não são apresentados à educação básica e aos meios técnicos de trabalho tendem a reincidir, pois estes, nos ambientes em que vivem, só presenciam a ilegalidade, assim como o apresentador Connolly evidenciou em vários episódios. Nesse contexto, a falta cursos e atividades recreativas se transforma em tempo livre e, por conseguinte, mais tempo para se aperfeiçoarem no crime.


Torna-se evidente, portanto, a urgência de se alterar o cenário vigente. Logo, faz-se necessário que o Governo, por meio do recolhimento de impostos, invista na infraestrutura dos presídios, de modo a elevar a qualidade de vida dos detentos e evitar que se revoltem com o sistema e, posteriormente, reincidam. Ademais, as ONGS devem, mediante investimentos públicos e privados, criar projetos que incluam ex-presidiários na realização de trabalhos, assim como o projeto PESCAR tem feito por décadas. Dessa maneira, será possível moldar positivamente o comportamento de ex-detentos a partir do meio em que se encontram, fazendo um paralelo ao pensamento de Ortega Y Gasset.

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