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A reinserção de ex-presidiários na sociedade brasileira

       Barão de Itararé, um dos criadores do jornalismo alternativo durante a ditadura no país, estava esmerado ao postular:"O Brasil é feito por nós. Está na hora de desatar os nós". Nesse viés, a escassa reinserção de presidiários na sociedade brasileira se apresenta como mais um nó a ser desatado. Dessarte, essa problemática é fruto tanto da falta de confiança dos cidadãos, quanto da incompetência do Estado, por conseguinte, urge a necessidade de reflexões acerca do tema aludido. 


           Mormente, na obra "Ensaios sobre a Cegueira", do escritor José Saramago, é dissertada a insensibilidade com que as pessoas lidam com os problemas do próximo. Nesse sentido, o preconceito é um desafio constante na vida dos ex-presidiarios, em decorrência da falta de empatia das pessoas. Desse modo, o mercado de trabalho brasileiro, que já é escasso e segregacionista, se fecha para as pessoas que já cumpriram pena na prisão anteriormente, dificultando a reinserção desses cidadãos no tecido social. Nesse panorama, a parcela da população supramencionada se sente marginalizada e encontra na vida do crime um meio para sobreviver e de sentir pertencimento.


           Outrossim, na esteira de pensamento do sociólogo Gilberto Dimenstein, os brasileiros são cidadãos de papel, pois os direitos desse povo estão restritos à teoria. Sendo assim, analisando a problemática sob essa ótica, o sistema carcerário brasileiro vai em contrapartida à inúmeros direitos humanos, submetendo os detentos à condições de vida insalubres, fazendo com que, muitas vezes, se revoltem contra a sociedade e aprendam metodologias de crimes ainda piores. Em vista disso, é necessário que as penitenciárias disponibilizem aparatos para reinserir os cidadãos na sociedade ao termino da pena, semelhante a prisão retratada na série "vis a vis" que fornecia cursos, lazer e cultura.


           Infere-se, portanto, que é mister elucidar ações para mitigar os impasses supracitados, como a criação de uma lei feita pelo Poder Legislativo que faria as empresas aderirem cotas para ex-presidiarios, por meio de seleções que não marginalizassem essas pessoas, de forma que 5% do contingente de funcionários sejam ex-detentos, com a finalidade de reencaixar essas pessoas na sociedade. Ademais é importante que o sistema carcerário brasileiro evolua para um lugar de reflexão e reclusão salutar, e não de sofrimento e instrução criminal. Espera-se que, assim, a falta de reinserção de detentos na sociedade seja mais um nó a ser desatado no Brasil.

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