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A questão da água no Brasil

Fonte de vida ou de lucro?
No filme "Uma história de amor e fúria", uma das problemáticas abordadas é a questão da luta pela água no Brasil em 2096. A obra suscita uma reflexão do uso demasiado dos recursos naturais em nome da lucratividade das grandes corporações e como isso afeta de forma negativa a vida de todo o corpo social. Longe da ficção, o tema não fica longe da realidade, tal que se faz visto no âmbito da mercantilização e do uso irresponsável das fontes hídricas brasileiras. Assim, é imprescindível a análise do tema em suas peculiaridades socioeconômicas.
Sob esse plano, é válido declarar que apesar de os avanços técnicos-científicos edificarem diversos avanços, eles também trouxeram uma maior irresponsabilidade sobre o uso da água. Isso porque, de acordo com Karl Marx e Marshall Berman, as relações de moral, ética e direitos se dissolvem em nome do lucro, e, portanto, na contemporaneidade brasileira, o direito igualitário à água é fragilizado em nome do mercado. Consequência disso é falta de acesso pleno a água tratada, que é esse recurso primordial à vida. Logo, as atitudes humanas, em nome da manutenção do sistema, maximizam o mal-estar de boa parte do corpo social excluído, que não possui capital, advindo de uma sociedade estratificada.
Cabe acrescentar que a globalização tem um papel fundamental para a manipulação sobre o domínio dos recursos hídricos. Isso porque, de acordo com o geógrafo Milton Santos, a globalização como fábula é aquela imposta pelos meios de comunicação, que visam fomentar o consumo e justificar que a natureza pode ser explorada em nome do "bem-estar" humano. Entretanto, existe a faceta da globalização como ela realmente é, pois torna-se aquela que promove perversidades. Exemplo disso, no Brasil, foi a catástrofe de Mariana, que causou a morte de todo o ecossistema hídrico do Rio Doce, mas foi "abafada" pela grande mídia. Consequentemente, é imprescindível um novo olhar sobre as ações privatizantes, que prejudicam a vida da humanidade.
Fica evidente, portanto, que o tema em questão tem um caráter histórico e econômico mais complexo do que aparenta. Para tanto, o Estado e seus Ministérios ? da Comunicação e do Meio Ambiente ? devem promover investimentos em políticas e legislações estatização das empresas de tratamento de água e projetar uma infraestrutura que possibilite o acesso dessa a todos, a fim garantir que a água não seja mais uma mercadoria e que seja um patrimônio da comunidade brasileira. Junto a isso, a mídia governamental precisa explanar sobre a construção de novos hábitos que ergam uma maior consciência sobre a responsabilidade hídrica sobre os cidadãos. Só assim poder-se-á vislumbrar a água como fonte de vida e não como fonte de lucro.

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