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A importância da representatividade na publicidade

O realismo foi uma escola literária que surgiu no século XIX, e foi inaugurada no Brasil pelo escritor Machado de Assis. Entre suas principais características está a busca pela representação da realidade social nas obras, sem a idealização do país e das pessoas. Metaforicamente, é possível associar o surgimento da escola machadiana à inserção da representatividade no âmbito publicitário, isso porque, busca produzir propagandas com pessoas e histórias reais e plurais. Desse modo, mudar a forma de fazer publicidade tornando-a mais diversificada representa uma importância tanto social como econômica.


Diante dessa perspectiva, é válido salientar que a formação da sociedade brasileira se deu de maneira miscigenada, originando uma população diversificada física e culturalmente. Todavia, todos esses perfis não são representados na publicidade, e apenas a figura idealizada e tradicional é escolhida para protagonizar propagandas, fato que não representa verdadeiramente o brasileiro e contribui para que tudo que destoe do padrão étnico, cultural, sexual e físico pré-estabelecido socialmente seja considerado errado e não aceito pelos próprios indivíduos e os que estão a sua volta. Sob esse viés, cabe relacionar que a ausência de representatividade na publicidade se enquadra como uma violência simbólica, termo criado pelo sociólogo Pierre Bordieu para nomear a opressão psicológica ou moral exercida de maneira velada a um grupo, isso porque, o indivíduo que não se vê representado, sente-se inseguro quanto a si próprio culminando na baixa autoestima e exclusão social. Em vista dos fatos supracitados, depreende-se que a representatividade em propagandas exerce um importante impacto social, uma vez que os canais midiáticos exercem forte influência na sociedade e contribuem para a aceitação de diferentes raças, gêneros, sexualidades e aparências, realidade da qual o país é feito.


Outro aspecto a ser analisado é a forma como produzir propagandas que se encaixam no perfil do consumidor contribui para o sucesso comercial do serviço ou bem ofertado. Acerca de tal prisma, a representatividade no âmbito publicitário não é apenas uma demanda social, mas também representa uma estratégia de marketing, uma vez que, vender imagens e histórias reais estimulam a compra desse produto, isso porque, as pessoas se enxergam nele. Nesse sentido, cabe ressaltar a concepção de “Sociedade do Espetáculo”, criada pelo escritor Guy Debord, que corresponde ao fato das relações sociais serem mediadas pela imagem, ou seja, as pessoas compram a imagem e não o produto, logo, vender uma imagem real e que representa o público é uma forma pertinente de expor que o produto ofertado se encaixa na vida desses indivíduos e consequentemente o percentual de vendas será maior. Sendo assim, nota-se que a representatividade, além de uma questão social é também um fator econômico, uma vez que, vender uma imagem que representa o consumidor real estimula a adesão do produto ou serviço ofertado por quem se enxerga nele.


Em face do que foi exposto, faz-se imprescindível tornar a representatividade visual e criativa no universo publicitário recorrente e permanente. Posto isso, concerne ao Poder Legislativo, em parceira com o Ministério da Cidadania, tornar obrigatório a representação da pluralidade populacional do país nos canais publicitários, através da criação de uma lei que imponha que as campanhas comerciais das grandes empresas que são veiculadas televisivamente, inclua a participação de diversos perfis, na criação do roteio e/ou atuando. Poder-se-á assim, trazer o realismo para o marketing e promover impactos sociais e econômicos.

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