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A importância da Educação Financeira

Na comédia brasileira "Até que a Sorte nos Separe", é retratada a vida e as dificuldades de uma família que, alguns anos após ganharem na loteria, entram em falência devido ao gasto excessivo e desnecessário do dinheiro. Mesmo que de forma humorística, o longa traz à tona um tema que reflete a realidade da maioria dos brasileiros: a falta de educação financeira, problema que ultrapassa regiões e classes sociais.



A instabilidade financeira do Brasil nas duas últimas décadas do século XX, provinda da dívida externa acumulada no período do Regime Militar, desdobrou-se em taxas de inflação astronômicas que demandaram a criação de novos planos econômicos. Mesmo com um período de extrema necessidade de consciência financeira por parte da população, tal detalhe não foi levado em conta durante a reestruturação econômica do país, o que desencadeou a situação atual de total insegurança e descuido com o dinheiro.



Atualmente, mesmo que as novas tecnologias possibilitem adquirir informação de forma rápida e muitas vezes precisa, a crescente de canais online e sites que discutem e explicam sobre o tema não possui, ainda, expressão de mover a grande massa. Dados do Datafolha, em parceria com o Itaú, evidenciam a magnitude de tais problemas: 49% dos brasileiros apresentam insegurança ao pensar em dinheiro, pela falta de conhecimento sobre como poupar ou como investir o mesmo. Tal "fobia" é por muitos consideradas hereditária, por ser consequência das raízes históricas de desigualdades sociais e econômicas.



Tendo em vista a precária consciência pecuniária da população, é de responsabilidade do Governo Federal investir em estratégias que foquem na melhor convivência do brasileiro com o dinheiro, com base em países que já obtiveram sucesso em tais ações. É dever do Ministério da Economia, juntamente com o Ministério da Educação, inserir a disciplina de Educação Financeira nas escolas, com a disponibilidade de professores economistas, para que crianças e jovens tenham, mesmo que de forma facultativa, acesso a conhecimentos sobre finanças, fazendo com que desde cedo o brasileiro adquira maturidade e independência econômica. Além disso é dever do ME, juntamente com o Ministério da Ciência e Tecnologia, promover plataformas online, como sites, canais e páginas de cunho informativo, que além de apresentar dados e estratégias monetárias ao internauta, possuam consultoria gratuita que auxilie e aconselhe o usuário sobre seus investimentos, apagando o caráter propagatório da desinformação financeira.

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