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A importância da consciência de privilégios

O filme “Dias Sem Fim” expõe o relato de um homem de cor condenado à prisão
perpétua, destacando os fatores que o levaram a criminalidade, como o preconceito racial que
o impedia de ser contratado para um emprego. De maneira análoga, observa-se que tais
desafios não estão presentes apenas na ficção: no Brasil, é comum que pessoas sejam
discriminadas pela sua cor, orientação sexual. Classe econômica, entre outras coisas. Desse
modo, é importante reconhecer o privilégio de alguns grupos sociais e utilizá-los como forma de
amenizar as desigualdades sociais. Sendo assim, entende-se a necessidade a importância da
consciência de privilégios para reverter esse entrave histórico.


Nesse contexto, deve-se destacar os privilégios sociais como um problema histórico
que persiste na sociedade brasileira. Isso porque, no século XIX, com a vinda da Coroa
Portuguesa para o Brasil, foram criados cargos públicos com altos salários que só poderiam ser
ocupados por portugueses, enquanto a sociedade brasileira era obrigada a pagar altos
impostos por essas remunerações. Infelizmente, a nação herdou esse árduo legado
sociocultural, que pode se exemplificado ao analisar os privilégios que pessoas detentoras de
elevado poder econômico possuem, como moradias dignas e espaços destinados para o seus
lazeres nos centros das cidades, enquanto indivíduos à margem da pobreza moram em regiões
periféricas com constante perigo de deslizamento de terra. É inadmissível, portanto, que a
nação continue convivendo com essa injusta herança cultural.


Outrossim, ressalta-se o descaso governamental como potencializador da falta de
consciência de privilégios. Segundo o pensador Michel Focault, as instituições formadoras de
opinião são formas de manter ou alterar o comportamento social a favor do Estado, entretanto,
isso não é utilizado para superar os problemas sociais. Devido à falta de atuação das
autoridades, grande parte da população não se conscientiza acerca dos privilégios que possui
e, assim, não se mobiliza para ajudar os menos desfavorecidos. Essa realidade, excludente e
cruel, é vista com normalidade por grande parte da nação, já que campanhas governamentais
não são utilizadas para promover a autorreflexão sobre a importância da consciência de
privilégios.


Infere-se, portanto, a necessidade do reconhecimento acerca dos privilégios sociais
pelos cidadãos brasileiros. Para tanto, é dever do Ministério da Educação, em parceria com a
mídia, promover debates em jornais de grande circulação sobre a consciência de privilégios,
ressaltando a sua importância para superar as desigualdades coletivas e estimular a empatia
na sociedade, a fim de desconstruir esse legado sociocultura e torná-lo inaceitável para os
indivíduos. Essa medida deve ser veiculada em rede nacional mediante o subsídio estatal, a
fim de tornar a realidade brasileira justa para toda a nação. Se isso for aplicado, será possível
tornar o filme “Dias Sem Fim” incompatível com a situação dos brasileiros.

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