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A importância da consciência de privilégios

  Na música “Bença”, do cantor nacional Djonga, o rapper deixa evidente a admiração e a sorte de ter tido um pai presente em um país onde “quem aborta mais é o homem”. Nesse sentido, o manifesto expresso na canção denuncia um problema enraizado na sociedade brasileira desde décadas atrás: o abandono paterno, o que inclui a banalização da gravidade da problemática pela comodidade do senso comum. Dessa forma, é necessário comparar a diferença entre as obrigações impostas ao homem e à mulher na atividade parental e como isso pode impactar negativamente a vida do filho.


  A escritora francesa Simone de Beauvoir, afirma que a mulher é um conjunto de limitações e de padrões que determinam seu papel na sociedade, e, dentre esses papéis, está a maternidade como sendo o principal “destino biológico” feminino. Nesse contexto, o abandono paterno compreende muitos outros desafios que tem por principal base o machismo de um meio patriarcal, que está diretamente relacionado com as atribuições discriminantes sobre a mulher e com a transferência de toda a responsabilidade da criação do filho para o lado materno. Sendo assim, o desequilíbrio familiar ocasionado reflete a angustiante estagnação feminina como ainda um dos principais problemas da atualidade em seu total esforço para o desempenho da atividade parental.


  Outrossim, as sequelas deixadas pela ausência do pai na vida de um indivíduo são consequentes para a vida toda. Portanto, apesar do lado jurídico hoje em dia obrigar o investimento material do pai na vida da criança, o abandono afetivo é, infelizmente, muito comum e gera diversos danos acerca das dúvidas e do sentimento de rejeição que desde muito cedo é desenvolvido no psicológico do abandonado. Desse modo, a imobilidade do Estado em submeter problemas muito menores acima deste em questão contribui para a desvalorização social do distanciamento paterno, como assim afirma a filósofa Hannah Arendt: quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada.


Logo, é importante o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos garantir a responsabilidade da criação do filho por ambos os progenitores, por meio de uma melhor fiscalização do cumprimento da lei que promove a subsistência do menor de idade, mediante campanhas que estimulem a denúncia de casos de abandono paternal, bem como a ação direta do Poder Judiciário, a fim de assegurar a família como principal instituição social. Assim, será possível cobrar de maneira igualitária as responsabilidades masculinas e femininas na atividade parental e contribuir para uma criação saudável do filho.

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