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A família brasileira e suas novas configurações

Mulheres no mercado de trabalho. Cidadãos divorciados que voltam a se casar. Maior igualdade civil para casamentos homossexuais. Assim, ao longo das décadas, as relações familiares vêm se modificando, tornando insuficiente o modelo tradicional de pai, mãe e filhos como representação de família. Todavia, os resquícios desse modelo ainda são valorizados, de modo que, as novas estruturas são segregadas. Nesse sentido, pode-se afirmar que a aceitação das recentes estruturas familiares é um desafio, seja devido à falta de leis específicas, seja devido ao preconceito.
É indiscutível que a legislação brasileira atual possui traços da Constituição da década de 40, como, por exemplo, a criminalização de casas de jogos e do porte de objetos tidos como obscenos. Tais características demonstram uma certa contradição, já que, seguindo esses princípios, as diversas loterias e sex shops existentes seriam ilegais. Nesse âmbito, é possível afirmar que o conservadorismo dos mecanismos jurídicos torna um desafio a aceitação das novas configurações familiares brasileiras, uma vez que, por apresentar traços retrógrados, as leis não incluem as características da sociedade atual, de modo que as estruturas familiares não possuem amparo jurídico. Um exemplo disso é que em casos de herança ou pensão, na maioria das vezes, os entes de uma família ?moderna? não são contemplados. Ou seja, fica difícil se pensar em aceitação se nem mesmo existem leis específicas.
Vale ressaltar, ainda, que a sociedade ainda não aprendeu a lidar com o diferente. Um exemplo disso são os casos de bullying que, apesar de combatidos, são frequentes. Nessa pespectiva, a aceitação das novas estruturas familiares torna-se um desafio, uma vez que, consoante ao físico Albert Einsten, é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito, isto é, a discriminação é algo tão enraízado na sociedade que sua superação é dificultada, de modo que, paralelamente, o preconceito sofrido pelos integrantes das novas configurações, o qual provém do fato de essas fugirem do padrão, desafia a sua aceitação. Ou seja, assim como afirma o sociólogo Jean Paul Sartre, o ser humano está sendo condenado pela sua própria liberdade de ser.
Dado o exposto, fica claro que a aceitação das novas estruturas familiares brasileiras é um desafio. Para que essa ocorra totalmente, é preciso que os três poderes atuem em conjunto, criando leis específicas, as aprovando e as colocando em prática, de modo que as famílias modernas fiquem amparadas pelo Estado. É necessário, também, que, tal qual já existe com outras questões relativas a preconceito, o Governo veicule propagandas sobre as novas famílias, desmistificando, assim, os conceitos já existentes sobre elas, de modo que, essas sejam amparadas pela sociedade. Afinal, consoante ao sociólogo Talcott Parsons, as famílias são fabricas de personalidades humanas, isto é, toda família, apesar de suas especificidades, possui em comum vínculos que vão bem além da consanguinidade.
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