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A dificuldade de lidar com a morte

A pandemia do COVID-19 não apenas agravou os problemas políticos e econômicos, como também levou o país – e o mundo – ao luto. Assim, a questão da dificuldade de lidar com a morte no Brasil deve ser analisada em, pelo menos, dois fatores. O primeiro deles é a falta, pelos familiares, de uma despedida de seus entes queridos. Já o segundo fator, refere-se aos possíveis efeitos do luto.


Em primeiro plano, devido às medidas que têm como objetivo evitar a disseminação do vírus COVID-19, o ritual do velório foi proibido. Assim, a despedida, o momento em que o indivíduo finalmente compreende que o outro morreu, não acontece. Segundo psicanalistas, este fato tem como consequência o agravamento da dor aliado a efeitos psicológicos prejudiciais. Destarte, é visível que o Brasil precisa entender que as vítimas do vírus não são apenas números, mas indivíduos com vontades e que as suas mortes não se limitam ao evento, visto que outras milhões de pessoas sofrem em consequência desse desfecho.


Em segundo plano, por causa da situação atípica atual, é imprescindível o entendimento dos  efeitos do luto, percebidos na manifestação dos mecanismos de enfrentamento – do inglês, “coping mechanisms” –, os quais são formas de lidar com a dor. A impossibilidade de ver o ente querido uma última vez e a lembrança de que ele passou os momentos finais sozinho podem levar à evasão dos sentimentos. Nesse sentido, a tentativa de ignorar a dor tem a capacidade de induzir o uso de mecanismos de enfrentamento negativos – e.g., excesso de trabalho e apatia. Portanto, não é necessário apenas a compreensão de que milhões de pessoas sofrem, mas também de que é imprescindível que o governo seja provedor de serviços que melhorem a qualidade de vida dessas pessoas, uma vez que a constituição garante que “a saúde é direito de todos e dever do Estado”.


Logo, a União, em parceira com as Unidades Básicas de Saúde – UBS –, deve fornecer auxílio psicológico aos indivíduos que estão sofrendo com a perda de familiares para o COVID-19. Essa medida deve ser feita por meio de investimentos na saúde básica, tendo como resultado não apenas a melhoria do bem-estar geral, mas também um suporte psicológico permanente e gratuito. Afinal, espera-se que, dessa forma, o país consiga suportar a perda imensurável causada pela pandemia.

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