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A dificuldade de lidar com a morte

 No filme americano "Por Lugares Incríveis", a personagem Violet Markey enfrenta dificuldades para lidar com a morte trágica de sua irmã, situação que a põe em um quadro potencialmente depressivo e com inclinações suicidas. No decorrer da trama, porém, o jovem Theodore Finch ajuda-a com a dolorosa situação, tornando-se fundamental para a garota lidar melhor com a difícil perda. Fora da ficção, o desafio de encarar a morte de um ente querido é uma realidade que, apesar de iminente a todos, pouco é discutida na sociedade, o que, em conjunto ao despreparo emocional, respalda os efeitos negativos trazidos pela problemática.


 Em primeira análise, vale pontuar que o silenciamento do problema reforça sua permanência no nosso corpo social. Consoante ao pensamento do filósofo Habermas, a linguagem é um verdadeiro instrumento de ação na sociedade. Nesse sentido, evidencia-se os benefícios que podem ser obtidos a partir de debates e discussões acerca do luto, sobretudo, no difícil processo de aceitação intrínseco à circunstância fúnebre, entretanto, tal ferramenta é pouco explorada no contexto atual. Dessa forma, é notória a necessidade de ações que busquem reverter tal conjuntura silenciadora de modo urgente. 


 Sob outra ótica, destaca-se que o preparo emocional é essencial para garantir que os indivíduos sujeitos a um processo de perda possam superar tal ocorrência do modo mais saudável possível. De acordo com o poeta romano Juvenal, a saúde do corpo está intimamente ligada à da mente, e vice-versa. A partir dessa perspectiva, é importante destacar que, quando não preparadas psicologicamente,as pessoas tendem a ter maiores dificuldades em saber lidar com o luto, o que, consequentemente, afetará de forma negativa, a médio ou longo prazo, a saúde mental delas, podendo reverberar, inclusive, em inúmeras doenças psicossomáticas ou até mesmo em depressão. Então, diante desse cenário preocupante, cabe a busca por estratégias que visem assegurar um melhor preparo psicoemocional.


 Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para mitigar o impasse. Logo, urge que os Ministérios da Saúde e Educação, promovam debates críticos sobre a temática do luto, por meio de  palestras semestrais em escolas da rede pública, ministradas por profissionais especializados em saúde emocional, a fim de garantir, desde a tenra idade, o preparo emocional necessário para lidar com o difícil desafio de lidar com a morte e evitar, consequentemente, patologias que poderiam decorrer deste. Assim, será possível garantir à sociedade o respaldo necessário para o enfrentamento do luto,sem posteriores prejuízos graves à sua saúde.


 

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