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A dificuldade de lidar com a morte

     Na obra “O Desterro dos Mortos”, Aleilton Fonseca, escritor baiano contemporâneo, apresenta, por meio dos seus contos, um tratamento natural à morte, ao compreendê-la como algo existencial à medida que celebre a memória edificante do que ficou na memória. Fora da ficção, o que se percebe é uma dificuldade em lidar com essa vivência de dor e ausência do ente querido, visto que a situação provoca sentimentos de impotência humana e a sensação de perda irreparável, os quais desencadeiam sérios problemas sociais e psicológicos. Logo, é imperioso pensar em soluções viáveis para um enfrentamento natural dessa problemática.

     Vale ressaltar, a princípio, que a questão do sentimento de impotência humana diante da morte é fator determinante, muitas vezes, para a frustração,  raiva e  dor. Esse contexto, evidencia que a cultura brasileira enfrenta dificuldades em lidar com a finitude da vida, principalmente em casos de acidentes e mortes prematuras,  diferentemente de outras sociedades – a exemplo dos orientais  –  que tratam a morte como algo inevitável e apreciam as ações realizadas em vida como forma de enfrentar a situação. Por esse viés, o filósofo francês Montaigne, em um de seus ensaios “Filosofar é aprender a morrer”, apresenta argumentos contundentes sobre a necessidade de  aprender  familiarizar-se com a morte e não temê-la, visto que segundo ele isso deve ser o objetivo da caminhada terrena. Embora a situação seja complexa, é  também efêmera à medida que busque alternativas possíveis para vivenciar as diversas fases do luto, até a aceitação.

     Outrossim, a ideia de perda irreparável, ocasionada em função da separação carnal pode ser apontada como um entrave na vivência do homem pós-moderno que aprendeu a valorizar o ter. Por esse viés, é pertinente referenciar o filme “Amor além da vida” no qual narra o sofrimento de um casal que perde dois filhos em um acidente, tentando superar a dor da perda, a mãe fica deprimida e comete o suicídio. Analogamente à ficção, na vida real é perceptível o número de indivíduos que ao experienciarem situação semelhante, consideram-na inconcebível  e assim, apresentam alterações comportamentais, conflitos psicológicos, a depressão, e por vezes têm reações idênticas à da personagem do filme. Logo, reconhecer que cada indivíduo reage de maneiras diversas em relação à morte, e que a demonstração desses sentimentos faz necessários para o processo de aceitação.

     Destarte, é fato que o enfrentamento da morte, configura-se uma situação complexa na cultura brasileira, todavia, faz-se necessário à sociedade tomá-la como natural para que o processo de aceitação torne-se melhor administrado. Para tanto, cabe ao Governo Federal em parceria com o ministério da saúde promover o acolhimento de indivíduos que apresentem transtornos psicológicos – decorrentes da perda de um familiar – por meio da oferta de acompanhamento psicológicos e/ou psiquiátricos em postos de saúde, com a finalidade de ouvir e direcionar o paciente a refazer-se. Sobretudo, cabe também à sociedade em parceria com Ongs, potencializar a disseminação de projetos e cursos educativos e envolventes a fim de ocupar o tempo do luto com atividades de relaxamento e prazer. Dessa maneira, o ideal de celebração da morte visto como um memorial do vivido, estabelecido pelo escritor Aleilton Fonseca tornará a morte uma fase natural e concebível.

 

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