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A dificuldade de lidar com a morte

  No Antigo Egito, os chamados rituais de "mumificação" exigiam o empenho e habilidade de profissionais específicos selecionados para tal tarefa, pois essa era uma missão sagrada na qual o falecido supostamente deveria ser preparado para a vida após a morte, aonde viveria com os deuses, levando consigo todos os bens da vida passada. Paralelamente, é preciso analisar a dificuldade em lidar com a morte nas sociedades ocidentais, já que muitas vezes esse tema ainda é um tabu e causa implicações sociais significativas, seja pelo rompimento das relações interpessoais, seja pelas sequelas psicológicas na vida dos familiares e amigos. 


  Nesse contexto, é passível de discussão o que diz  respeito ao rompimento das relações interpessoais, já que o luto pode ser sinônimo de raiva e retração. Logo, uma das principais explicações para tal problema  é a dificuldade de aceitação em relação à perda do ente querido, levando o ser humano à busca por explicações racionais de algo que não tem explicação. Consequentemente, essas pessoas passam por um estágio de instrospecção indeterminado, podendo apresentar comportamentos bem atípicos, como no exemplo da série "Better Caul Saul", quando o protagonista resolve mudar até o seu sobrenome, após a morte do irmão. 


  Em contrapartida, outro ponto a ser ressaltado é a questão das sequelas psicológicas na vida dos familiares e amigos, levando em consideração a possível manifestação de doenças como ansiedade e a depressão. Segundo Émille Durkheim, os fatos sociais são dotados de exterioridade, coercitividade e generalidade, exercendo grande impacto na forma de um determinado povo agir, pensar e sentir. Seguindo esse raciocínio, é possível fazer uma breve analogia com o cenário brasileiro, porque o apego a fé e doutrinas cristãs levam a um maior conforto emocional daqueles que perderam um ente querido. Por conseguinte, é importante mencionar o filme "Última Parada 174", quando uma ex-usuária de drogas entra num quadro profundo de depressão após o assassinato do filho, mas muda drasticamente de vida após se converter ao Cristianismo. 


  Dado o exposto, medidas devem ser tomadas para resolver o impasse. Por isso, o Ministério da Saúde junto ao Ministério da Educação deverá contar com o apoio de professores, psicólogos, psicopedagogos e colaboradores para promover palestras e debates acerca do tema nas instuições de ensino, visando oferecer um maior suporte psicológico aos pais e alunos, além de quebrar determinados tabus. Além disso, a Sociedade Civil deverá se manifestar por meio de passeatas e das redes sociais, a fim de pressionar o Governo Federal para a criação de grupos online de assistência individual ao luto, disponíveis em período integral para atender a população de forma sigilosa e pouco invasiva, a fim de quebrar o silêncio e ajudar na regeneração psicológica. Por fim, o Brasil se tornaria um referência mundial no assunto, e assim como no Antigo Egito a morte não seria mais sinônimo de dor e sofrimento. 

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