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A cultura do cancelamento

     No livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, percebe-se que, em um determinado momento da trama, todos os animais que maldiziam o governo, momentos depois simplesmente apareciam mortos, fazendo com que os demais tivessem medo de expor suas opiniões. Fora da ficção, apesar de a liberdade de expressão ser amplamente divulgada no Brasil, a cultura do cancelamento, termo criado pelos internautas brasileiros, representa o linchamento virtual das ideias individuais por grupos ideologizados, criando um tipo de repressão específica do século XXI. Nessa perspectiva, esse desafio deve ser superado para que uma sociedade integrada seja alcançada.


   Em primeira análise, vale destacar que o assassinato de reputação nas redes é uma problemática a ser enfatizada. Em sites como o Twitter.com, por exemplo, é possível, em fração de segundos, aniquilar a reputação de alguém. Um caso famoso foi o da escritora Joanne K. Rowling, autora da saga Harry Potter, que realizou um comentário ambíguo sobre pessoas transexuais, o que levou diversos fãs do mundo inteiro a se levantarem contra ela em suas redes, com comentários hostis e desrespeitosos, impedindo-a, inclusive, de defender-se. Com isso, percebe-se que grupos que aderem à cultura do cancelamento conseguem dizimar a reputação de qualquer pessoa em segundos.


   Faz-se mister, ainda, salientar que um dos impulsionadores da problemática é a falta de regulação das mídias sociais. De acordo com o Código Penal Brasileiro, calúnia e difamação acarreta detenção de seis meses a dois anos. Contudo, como não há regulação nas redes sociais, qualquer usuário pode criar mentiras ou distorcer o que outra pessoa disse, buscando se integrar a essa cultura do cancelamento.  Diante do exposto, é inadmissível que os líderes dessas empresas continuem inertes a essa problemática hodierna.


    Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Dessa maneira, urge que o Estado brasileiro, em parceria com os executivos das grandes empresas de mídias sociais, aprimore o regulamento de uso, através de reuniões e opiniões dos usuários, promovendo o uso consciente e responsável, de modo que a sociedade brasileira saiba usar as redes sociais com prudência. Com isso, ninguém terá medo de expor suas opiniões com responsabilidade, diferente do que acontecia na ficção de Orwell.

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