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A cultura do cancelamento

                                                              Cancelando os Excessos.


    Em 2019, o dicionário Mckeidy elegeu a palavra cancelamento como o termo do ano. A cultura do cancelamento é um fenômeno virtual que consiste na exclusão de um indivíduo de determinado grupo por fazer algo ou ter uma opinião contrária à da maioria. Esse mecanismo tem sido de grande importância para a causa de alguns movimentos, no entanto, a falta de um critério específico têm gerado transtornos graves para algumas pessoas canceladas.


  A princípio, é importante analisar o cancelamento como uma ferramenta de luta contra desigualdade. Para entender melhor a problemática, é pertinente mencionar a teoria da Microfísica do Poder do filósofo Michel Foucault, que fala que o poder está em todos os lugares como uma rede que transcende os indivíduos. A partir disso, pode-se inferir que, com o auxílio da internet, todos os indivíduos, atualmente, tem o poder de mudar alguma coisa na sociedade e a cultura de cancelamento é uma ferramenta importante para isso. Diante disso, os promotores desses eventos são tidos como uma espécie de Justiceiros do Novo Milênio, pois lutam, atrás dos Teclado, por causas maiores como o racismo, a homofobia, dentre outros, promovendo movimentos como o "Vidas Negras Importam" que mobilizou o mundo após a morte cruel de um negro nos Estados Unidos. Dessa forma, vê-se que a ferramenta de cancelamento ajuda a corrigir alguns erros sociais.



   É necessário avaliar ainda, que, além do lado positivo da ajuda no combate e algumas injustiças, a cultura de cancelamento também tem seu lado negativo devido à falta de critério na hora de cancelar alguém. Para melhor compreensão da problemática em discussão, é válido citar a frase do filósofo Rousseau: "O homem é bom por natureza e a sociedade que o corrompe", que rege o princípio da exclusão e ressocialização utilizado pelos presídios. A partir disso, pode-se discutir a ignorância do direito de defesa e de redenção do cancelado, que, em muitas vezes, é julgado sem sequer poder se defender da acusação, ou ainda, pedir perdão pelo erro. Dessa maneira, a ânsia por fazer justiça com as próprias mãos, coloca de lado o princípio da tolerância, em que pessoas que se julgam moralmente superiores ficam em estado de vigilância e punição constante, sem se quer fazer uma auto reflexão, e já cancelam pessoas por simples deslizes, mesmo que o alvo já tenha feito boas ações. Um exemplo recente disso, foi o influenciador digital Felipe Neto que é conhecido por promover cancelamento de outros famosos e personalidades públicas, que em dezembro de 2020 acabou mostrando que não é tão exemplo quanto costumava querer passar e, consequentemente, foi cancelado pela internet. Por conseguinte, vê-se uma falta de critério específico para o cancelamento, que torna esse mecanismo falho e prejudicial.


   Portanto, sabe-se que a cultura do cancelamento é um fenômeno virtual que serve de ferramenta para correção de erros sociais, no entanto, sua falta de regulação acaba gerando outros problemas sociais. Logo, medidas devem ser tomadas para corrigir essa problemática, como o maior debate sobre o tema, com a mídia televisiva e propagandista, através da promoção de séries e novelas que abordem a temática, apresentem ao público os prós e contras da cultura de cancelamento, a fim de instruir os cidadãos sobre os riscos e benefícios da mesma. Além disso, o Poder Legislativo deve elaborar lei que regulamentem essa prática, e através da delegacia de crimes virtuais, deve fiscalizar a fim de que não haja excessos, perseguições ou violência aos cancelados, pois só assim, essa cultura que nasceu em 2019 poderá ser eficiente para sempre.

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