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A cultura do cancelamento

Na Idade Média, a Igreja Católica controlava a política, a cultura e a sociedade como um todo - além de impor seus valores e crenças. Sendo assim, aqueles que discordavam de seus métodos e suas doutrinas eram exilados ou julgados pela Santa Inquisição. Paralelamente aos dias atuais, apesar de tal forma de repressão não existir mais, a cultura do cancelamento é a reformulação contemporânea da Inquisição - uma vez que é um julgamento prático, que possui como difusor as redes sociais e que visa a exclusão daqueles que possuem opiniões e comportamentos divergentes. Nesse sentindo, tal cultura fere a discussão democrática e o direito de defesa dos acusados, visto que os usuários das mídias digitais são "cancelados" por discursos antigos e atitudes que devem sim ser questionadas - desde que tal debate seja pautado no diálogo e na compreensão.


Primeiramente, vale ressaltar que o tribunal da internet resgata falas e pensamentos de anos anteriores para legitimar o cancelamento de uma figura pública. Por exemplo, o youtuber Júlio Cocielo, que foi massacrado nas redes após usuários compartilharem prints, em 2019, de seus tweets publicados em 2011, com comentários racistas e preconceituosos. Por conta disso, o influencer foi cancelado e, posteriormente, se pronunciou em suas contas digitais pedindo desculpas e alegando que errou na época, mas que sua visão de mundo mudou e progrediu. Visto isso, não há como negar a gravidade de se julgar um indivíduo baseado em opiniões antigas, uma vez que todos estão em contatante mudança e evolução.


Em segundo lugar, certos comportamentos de pessoas famosas levaram elas a serem canceladas nas redes, porém, sem a devida conversação e conscientização. Como é o caso da blogueira Pugliesi, que foi duramente criticada após publicar vídeos de uma festa realizada na sua casa em seus stories do Instagram - evento esse realizado em meio à pandemia do novo Coronavírus. Consequentemente, a digital influencer, além de perder seguidores, perdeu diversos contratos e patrocínios, e desativou sua conta na rede após pedir desculpas pelo ocorrido. Com isso, é perceptível que atitudes como essa devem sim ser questionadas, entretanto, é necessário uma reflexão acerca da conduta praticada, e não apenas o cancelamento superficial e anti democrático.


Diante do exposto, antes que a situação se agrave, é necessário intervir. Logo, cabe às empresas digitais, que são responsáveis por redes sociais como o Twitter e o Facebook, criar políticas e anúncios que visem alertar seus usuários sobre a problemática da cultura do cancelamento e seus prejuízos para a realização de discussões democráticas e justas, uma vez que tal cultura fere o princípio do outro de se defender e se posicionar. Essa medida deve ser feita por meio de verbas privadas, tendo como resultado não apenas uma maior tolerância na internet, mas também a conscientização dos usuários acerca da importância de compreender, debater e reconstruir comportamentos e pensamentos considerados retrógrados ou errados. 

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