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A cultura do cancelamento

   Em outubro de 2019 o cantor de funk MC Gui publicou em sua rede social um vídeo zombando da aparência de uma menina, atitude que foi, imediatamente, rechaçada pelos usuários da internet, acusando o cantor de bullying e, assim, cancelando-o. Tal cultura do cancelamento, isto é, boicote a personalidades que tiveram um comportamento negativo dentro ou fora do espaço virtual, leva, muitas vezes, à responsabilização e punição justa do denunciado, porém, essa pode perder o senso de proporção, cancelando pessoas e não atitudes. Dessa forma, percebe-se que é fundamental discutir acerca desse tema.


   Em primeiro plano, o cancelamento se mostra, em grande parte dos casos, como uma boa alternativa para denunciar comportamentos preconceituosos e negativos. Isso é depreendido dos resultados do movimento #Metoo, o qual denunciava, através das redes sociais, acusados de assédio e agressão sexual, levando, por meio disso, à prisão e responsabilização de diversos abusadores que eram protegidos devido ao poder a eles atribuído. Portanto, nota-se que a cultura do cancelamento é vista como um movimento que rompe com uma estrutura de poder, fazendo uma denúncia justa daqueles que eram blindados que de outra forma não seria ouvida.


   Entretanto, o objetivo substancial de cancelar as pessoas nas redes sociais vem sendo mal interpretado pelos usuários da internet, acarretando problemáticas. Em primeira instância, os ataques constantes padecidos pelo incriminado acabam criticando somente o indivíduo e não o seu comportamento. Logo, a pessoa é cancelada, mas as estruturas que geram tal atitude não sofrem mudanças e essa continua a ser cometida pela sociedade. Além disso, o individualismo, explicitado pelo filósofo Zygmunt Bauman na sua obra “Modernidade Líquida”, motiva muitas pessoas a apontarem as falhas alheias para evitarem de serem julgadas. O mesmo acontece com a cultura do cancelamento, na qual os usuários cancelam alguém para conter o seu próprio cancelamento, não julgando o erro do outro verdadeiramente.


   Dado o exposto, é notório que é extremamente necessário concentrar esforços em prol de uma maneira mais justa de denunciar atitudes negativas nas redes sociais. Posto isso, o Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, deve alertar os jovens sobre os problemas causados pela cultura do cancelamento por intermédio de discussões e debates em sala de aula, buscando, assim, impedir que os alunos julguem os outros de maneira arbitrária na internet. Em consonância a isso, cabe ao Poder Legislativo reformular as leis de crimes cibernéticos, por meio da incorporação de punições mais severas àqueles que ofenderem um indivíduo ou grupo social de alguma forma. Desse modo, será possível tornar a internet um ambiente mais honesto e harmônico.


  

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