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A cultura do cancelamento

Na série “Black Mirror”, em um episódio intitulado “Queda livre”, é apresentado uma sociedade movida por um aplicativo que mede a reputação das pessoas baseando-se nas notas dadas por cada usuário sobre os demais e, caso esta seja baixa, há a exclusão social. Analogamente, a “Cultura do cancelamento” apresenta-se como um meio de apontar os erros dos demais indivíduos nas redes sociais, atentando a sociedade para algumas ações ruins. Entretanto, erroneamente, os indivíduos transformaram essa ferramenta em um meio de oprimir uns aos outros, corroborando um cenário virtual carente de tolerância e empatia.


Primeiramente, é importante salientar que a “Cultura do Cancelamento” se reverteu em um sinônimo para opressão coletiva nas redes. Nesse sentido, para o sociólogo Jurgen Habermas, em uma sociedade madura os indivíduos procuram evoluir em conjunto a partir do diálogo. Entretanto, contrapondo tal visão, o ato de “cancelar” alguém nas mídias sociais atrelou-se, com o tempo, mais a um ato condenar uma ação sem o mínimo de empatia e holística social do que a busca por um diálogo construtivo. Tal visão é exemplificada no caso do americano Emanuel Cafferty acusado de fazer um sinal racista com os dedos enquanto descansava-os na janela de seu carro, perdendo seu emprego logo em seguida – explicitando a falta de senso crítico dos usuários que julgam apenas o que lhes são convenientes.


Ademais, por conseguinte, tem-se o agravamento de uma tessitura que já é pouco tolerante. Nesse sentido, de acordo com Hannah Arendt, filósofa política, a “Banalidade do mal” diz respeito à normalização de uma prática ruim em determinado contexto, modificando as relações sociais. De maneira similar, a opressão coletiva do cancelamento contribui para que a internet, um espaço primordialmente democrático, se transforme em um ambiente extremamente intolerante e pouco empático, no qual os seus componentes precisem desenvolver um alto grau de policiamento para que não sejam “cancelados”, como no episódio “Queda livre”. Dessa forma, a sociedade caminha sobre uma linha tênue entre a formação de cidadãos mais conscientes e o agravamento dessa conjuntura.


Infere-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para coibir a problemática apresentada. Para tal, as instituições de ensino, em parceria com o Ministério da Educação, devem criar um horário em que sejam debatidos assuntos que suscitem o posicionamento dos alunos, por meio de uma alteração na matriz curricular de ensino. Além disso, é necessário que o professor introduza aos alunos os conceitos de empatia e de tolerância para que possam exercitá-los no decorrer das aulas, com intuito de formar cidadãos empáticos e, por fim, diminuir o lado negativo da “Cultura do cancelamento”.

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