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A cultura do cancelamento

      O escritor europeu Arnold Toynbee, em uma de suas teorias, descreve que os humanos tornaram-se detentores de tecnologia, mas continuam "macacos" na existência. Indo de acordo com tal premissa, a evolução científica no âmbito tecnológico contrapõe-se à persistência da chamada cultura do cancelamento, a qual caracteriza-se como uma denúncia dos erros que as pessoas cometem, por meio do linchamento virtual através das redes sociais. Dessa forma, faz-se necessária uma atenção para problemática, que é motivada não só pela inclinação a violência, mas também pelo individualismo. 


           Em primeira análise, é fundamental ressaltar que o filósofo Jean Jacques Rousseau afirma que o Estado responsabiliza-se pelo estabelecimento de condições básicas ao promover o bem-estar do âmbito populacional. Entretando, a perspectiva defendida pelo intelectual não concretizar-se-á na realidade hodierna, haja vista a falta de políticas públicas voltadas para a intermediação da violência virtual. Em vista disso, o Estado não promove políticas públicas voltadas para o esclarecimento das reais consequências dos discursos de ódio publicados facilmente nas redes sociais, os quais possuem o intuito de cancelarem uma pessoa até mesmo por um erro do passado. Logo, percebe-se que o Poder Governamental, ao não efetivar o pensamento de Rousseau, promove a persistência do problema. 


          Outrossim, é necessário frisar que as questões comunitárias são intimamente ligadas à cultura do cancelamento. Nesse ínterim, a cegueira moral, fenômeno exposto por José Saramago em sua obra "Ensaio sobre Cegueira", caracteriza a alienação da sociedade frente às demais realidades sociais, a qual é fomentada pelo interesse próprio, insensibilidade e falta de empatia diante de um problema. Isso pode ser exemplificado nas diferentes causas pelas quais uma pessoa pode ser cancelada, visto que não há qualquer distinção de raça ou gênero e ainda, por não ocorrer a possibilidade da pessoa explicar-se por seus erros. Diante disso, com a falha nesse sistema, o indivíduo torna-se vulnerável a mais problemas, o que prejudica a harmonia social e a plena vivência da cidadania. 


       Logo, é mister que o Estado tome as devidas providências para que a problemática seja amenizada. Por isso, o Ministério da Educação junto às instituições escolares devem fazer com que ocorra a diminuição do cancelamento de pessoas por meio de debates e palestras com os alunos, as quais ressaltem devidamente os malefícios que o linchamento virtual causa na saúde mental dos indivíduos. Nessa lógica, o intuito de tal medida é alertar as consequências de incentivar a cultura do cancelamento, e em como a persistência de tal cultura é marcada pelo individualismo e egoísmo. Somente assim, a problemática será amenizada e a afirmação de Arnold Toynbee não se aplicará ao âmbito social. 

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