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A crescente descrença no pensamento científico no Brasil

"Mi mi mi", "exagero" e "gripezinha". Essas foram algumas das frases de negacionistas da pandemia de covid-19 a jornalistas e cientistas de todo o mundo. Essa situação ilustra, entre outras coisas, o aumento da descrença no pensamento científico no Brasil, alicerçada num viés conservador que fechou os olhos para as milhares de mortes ocorridas no país. Assim, é necessária a reflexão de como a falta de diálogo entre universidades e sociedade, assim como o baixo investimento público em ciência e tecnologia, contribuem para a elevação dessa problemática. 


Em um primeiro momento, é possível se observar que a falta de diálogo entre universidades e sociedade é fator preponderante para a descrença do pensamento científico no Brasil. Ao longo do tempo, universidades, tanto públicas como particulares, estiveram enclausuradas em suas redomas, não disseminando e tomando crédito por suas importantes pesquisas acadêmicas numa linguagem acessível para a população como um todo. Esse contexto vai de encontro a aquilo que o músico Mano Brown propôs em conferência com políticos e estudantes, de fazer a política e a academia voltar seus olhos para o povo. 


Além disso, outro ator importante nesse processo de desvalorização é o baixo investimento público na produção de pesquisas em universidades públicas no país. Ilustração disso pode ser vista em pesquisa realizada pelo O Globo, que revelou que o orçamento de pesquisa científica em todo o Brasil em 2021 é equivalente a de grandes laboratórios nos Estados Unidos ou na Coreia do Sul. Com baixos investimentos, o próprio governo federal demonstra não valorizar a produção acadêmica de seu país, contribuindo para a desvalorização da mesma no imaginário popular. Essa tese vai de encontro ao proposto por pensadores como Bordieu, que afirmam que o capital cultural é elevado a partir de investimentos em ciência e tecnologia. 


Diante do exposto, é possível concluir que a desvalorização da ciência no Brasil tem como pressuposto uma visão de mundo alicerçada no extremo conservadorismo, apoiando-se na falta de diálogo entre universidades e sociedade, além do baixo investimento em ciência e tecnologia no país. Nesse sentido, para combater esse cenário, é fundamental que o governo federal, por meio de um decreto federativo, crie um Programa Nacional de Valorização da Ciência, com a finalidade de valorizar universidades públicas e privadas através de incentivos financeiros para aquelas que produzem maiores quantidades de pesquisas relevantes. Além disso, é necessário que a ciência se faça mais presente na vida das pessoas por meio da maior aparição de cientistas em veículos midiáticos. Dessa forma, o negacionismo científico poderá ser minado, dando maior espaço e importância ao conhecimento científico. 


 

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