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A crescente descrença no pensamento científico no Brasil

A frase "penso, logo existo", de René Descartes - criador do método científico -, reflete o ato de racionalizar como algo inerente ao ser, que o define como vivo. Todavia, no hodierno, ao considerar a crescente descrença no pensamento científico no Brasil, fica claro a forte desconexão com essa premissa. Nesse contexto, é imprescindível entender que tal fenômeno decorre de uma educação pública deficitária e tem como propulsor as redes sociais.


Primeiramente, o panorama supracitado encontra arcabouço na ineficiência educacional. Isto porque, parafraseando a teoria do ídolo da caverna, de Francis Bacon, o indivíduo que não goza de senso crítico e de espistemologia científica em prol de compreender o que está ao seu redor, ampara-se em seus próprios preceitos e ideais e, por extensão, alcança conclusões enganosas, muito embora convenientes. Nesse sentido, ao alicerçar-se em um ensino deficitário, a população permite ser enganada, certas vezes, por si própria, pois, incapaz de reagir criticamente a eventos e dados, cria hipóteses, explicações e teorias sem qualquer respaldo nos fatos. A consequência disso, é a penalização de si mesma - em especial das camadas mais pobres -, pois pouco se protegem do novo Coronavírus, por exemplo, seja pela credulidade na ausência de riscos, seja pela falta de informações.


Em segundo lugar, as redes sociais são um importante impulsor de notícias falsas. Posto que, ao considerar a dinamicidade das comunicações no contexto da globalização, tais instrumentos propagam essas falácias em escala exponencial, de forma que apenas uma pessoa é capaz de "infectar" muitas outras, em diversas regiões do planeta, como trazido por Richard Dawkins, no livro "O Gene Egoísta", ao referir-se a sua teoria do meme. Em resposta disso, empresas, como "Facebook" e "Instagram", têm rastreado e apagado tais "informações", assim como o "Youtube", que deixou de recomendar a seus usuários vídeos que estimulam essas mensagens enganosas. Apesar dessas mudanças, elas se mostram bastante discretas, haja vista a dimensão e profundidade que as "fake news" podem alcançar, o que torna a manutenção e expansão de seu combate fundamentais.


Fica claro, portanto, que um sistema educacional falido somado à disseminação de inverdades é a gênese do descrédito na Ciência. Dito isso, é necessário que o Governo Federal, na figura do Ministério da Educação, promova o fortalecimento das aulas de ciências naturais nas escolas. Para isso, deverá investir na capacitação profissional dos professores dos ensinos fundamental e médio, além de construir novas salas de aula, laboratórios de informática e de prática assistida e bibliotecas, com a finalidade de elevar a compreensão dos alunos frente à temática, para que esses entendam e reconheçam o estudo como aliado para compreender a realidade ao seu redor. Com isso, a médio e longo prazo, será possível fazer do racionalismo cartesiano consenso entre os brasileiros. 

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