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A crescente descrença no pensamento científico no Brasil

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico - garante a todos o direito à educação. No entanto, não é essa a realidade da população brasileira, visto que teorias da conspiração que descreditam fatos científicos (como a descrença na efetividade de vacinas) e a nova onda de notícias falsas chamadas de "fake news" têm ganhado destaque no cotidiano do cidadão. Essa problemática tem origem em alguns fatores, como o desfalque na educação, a própria mente humana e a internet. Dessa forma, faz-se necessário discorrer sobre essas causas, a fim de encontrar soluções para essa situação
Mormente, é inerente ao ser humano encontrar padrões para estruturar o mundo. Essa característica é uma herança dos ancestrais que um dia precisaram desse artifício para se defenderem e se prevenirem de perigos encontrados na natureza (como por exemplo, ao ouvir um barulho na mata a noite, já teorizar sobre a existência de um animal selvagem quando na verdade seria só o vento mexendo folhas). Contudo, apesar de não ser mais necessário, esse mecanismo continuou a existir no cérebro do homem, e é o que explica a tendência natural dos indivíduos a elaborarem e acreditarem em teorias da conspiração, segundo o professor de Ciências da Comunicação Mark Lorch.
Em segundo plano, o fator social é um agravante para esse cenário. No século XIX, o psicólogo americano Stanley Milgram, realizou um teste que ficou conhecido como Experiência da Esquina, no qual atestou-se que o indivíduo tem grande probabilidades de ser influenciado por um aglomerado de pessoas, visto que o valor de ser socialmente aceito é maior que o valor de estar certo. E é exatamente o que acontece hoje agravado pela internet e suas mídias sociais que possibilita a conexão entre muitas pessoas do mundo todo, exemplo disso é o site da Sociedade da Terra Plana que já conectou 200 pessoas que se tornaram membros.
E por fim, a defasagem na grade curricular tem sua contribuição para esse cenário, uma vez que o método científico como pensamento analítico não é ensinado. Assim, em uma sociedade em que o indivíduo é bombardeado por notícias o tempo todo nos mais diversos meios de comunicação, tem em suas mãos entretenimento no momento em que quiser e não sabe analisar a veracidade de uma informação, o conhecimento da população fica comprometido e o ambiente propício para crenças falsas e para pessoas serem ludibriadas com as "fake news" e teorias da conspiração.
Urge, portanto, que o Ministério da Educação inclua na grade curricular das escolas a alfabetização científica desde o ensino fundamental I e capacite professores, por meio de cursos, a ensinarem a teoria, a prática e a necessidade dessa matéria. Ademais, por meio de uma parceria entre Ministério da Educação, influenciadores digitais e canais abertos, devem ser veiculadas na televisão e internet campanhas que tenham como objetivo esclarecer informações falsas que afetam diretamente a população, como a inverdade sobre a ineficiência de vacinas.
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