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A banalização do coaching

Na obra ''Utopia'' do escritor Thomas More, é retratado uma sociedade perfeita, ou seja, em que o corpo social é padronizado pela ausência de conflitos. Entretanto, obstante do ficcional, a banalização do coaching, coloca empecilhos para a concretização dos planos de More. Esse desvio é causado tanto quanto por causa do aproveitamento da mazela alheia, para benefício próprio, quanto também pela presença do charlatanismo, que ludibria seus clientes, prometendo-se o que, na maioria das vezes, não se cumpre, e dessa forma, passando a culpa pelo fracasso para o utilizador de seus serviços. Diante do supracitado, torna-se evidente a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento da ordem social vigente.


Precipuamente, é fulcral pontuar que o óbice deriva da baixa atuação de setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam de forma efetiva a perpetuação da banalização do coaching. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes ''O Estado é quem deve garantir o bem-estar de seus cidadãos''. Ao partir desse pressuposto, pode-se afirmar, claramente, de que o pensamento de Hobbes não se aplica na atual sociedade mundial, e tal desvio é visto, com o aproveitamento da mazela alheia, na qual alguns coaches despreparados e sem formação profissional, utilizam de mecanismos como retórica e publicações nas redes sociais como forma de oferecer seus serviços, como afirma Anna Cherubina Scofano, professora da Faculdade Getúlio Vargas e coordenadora acadêmica do curso de Analista e Capacitação em Recursos Humanos, ''Alguns, coaches se utilizam de conhecimentos terapêuticos, retórica e, principalmente, das fragilidades e necessidades humanas. No mercado, qualquer pessoa pode se dizer e se diz coach''. Quem mais sofre as consequências disso é o próprio consumidor, que na maior parte dos casos, são lesados, quando na verdade, deveriam procurar outro tipo de apoio, sendo psicológico, ou até mesmo, psiquiátrico, dessa forma, resolvendo seus transtornos.


Por consequência de tudo isso, é crucial também destacar, a presença do charlatanismo como fator impulsionador do óbice. A solução encontrada pelo sergipano Willian Menezes, foi a de criminalizar a profissão do coaching, assim, acabando com os charlatões na área. Todavia, Bárbara Nogueira, coach há quase uma década afirma, ''A profissão deveria ser regulamentada, não criminalizada''. A partir disso, pode-se assegurar que a solução encontrada por especialistas para a resolução da banalização do coaching se encontra dividida, todavia, o que acontece na realidade é a venda de serviços por mau profissionais, utilizando-se de artimanhas para a manutenção das vendas de ofícios. A consequência dessa má postura, é a continuidade dos problemas enfretados pelo cliente, além do provável fracasso e, posteriormente, a culpa por não ter conseguido alcançar a solução.


Em suma, para solucionar o quadro deletério, os governos e as empresas têm papéis decisivos. Ambos, a partir de investimentos na criação de propagandas nas redes sociais, com o propósito de influenciar o consumidor, na busca de profissionais qualificados quando for utilizar serviços de coaching, e na invenção de leis municipais, a fim da regulamentação da profissão, com isso, diminuindo a quantidade de enganadores nesse mercado. Com a adoção das medidas propostas, o estresse citado deixará de ser o mal do século no Brasil e no Mundo. E assim, valerá o modelo escrito por More.

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