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A banalização do coaching

Tema: A banalização do Coach


No filme "Rei Leão", o bordão "Hakuna Matata" (viver sem preocupações), torna-se um feito quase utópico quando posto em comparação com o atual cenário global, em que questões relativas a problemas de ordem pessoal e social ganham ampla relevância. Com isso, como forma alternativa e rápida para a resolução de tais problemas, urge a figura do "coach" e, consequentemente, sua banalização na ordem social, seja em função da valorização do lucro em detrimento dos valores, seja por possíveis malefícios causados à sociedade.


A priori, é imperioso destacar que, com o crescente avanço das relações capitalistas, o lucro e demais confortos provenientes da posse cambial, se tornaram essenciais para a manutenção do estilo de vida almejado por cada indivíduo, mesmo que para isso, valores sejam atropelados. Segundo o filósofo prussiano Karl Marx, o capitalismo prioriza o lucro em detrimento dos valores. Nessa perspectiva, indivíduos que se julgam portadores de características e "dons" capazes de ajudar a outrem, sem mesmo possuir nenhuma formação profissional - "coach’s"- visando o lucro fácil, por vezes, se apropriam de métodos que, sem autorização médica, culminam por colocar em risco a vida dos contratantes. Nesse sentido, tendo em vista a "fácil" obtenção de capital, a profissão assume um crescimento exponencial, com aproximadamente 70 mil profissionais no Brasil, segundo dados do ICF – Coach Federation.


Mormente, é imperativo pontuar que, a falta de senso crítico da população, há muito contribui para a predominância da profissão no mercado de trabalho, bem como de seus malefícios. O educador Paulo Freire defende, no livro "A educação do oprimido", que o ensino é uma forma libertadora cujo objetivo é despertar a criticidade do indivíduo, de modo a incentivá-lo na busca de sua autonomia e consciência social. Sob tal ótica, indivíduos cujo senso crítico não se encontra exercitado de maneira suficiente a propiciar uma melhor tomada de decisões, têm um maior potencial a optar por "milagreiros" sem nenhuma formação profissional, corroborando para a perpetuação da profissão. Com isso, devida à tamanha injustiça, profissionais capacitados e especializados em assuntos cada vez mais dominados por "coach’s", se sentem violados e injustiçados. Ora, se um indivíduo que estudou por anos e se formou na tão sonhada carreira encontra-se prejudicado em sua área de atuação, entende-se a ausência de democracia e respeito no mercado de trabalho.


Depreende-se, portanto, a necessidade da tomada de medidas que minimizem a problemática dos Coach"s no Brasil. Nesse sentido, é necessário que o Ministério da Educação disponha todos os subsídios necessários à perfeita atuação de professores capacitados, com o fito de estimular o senso crítico desde à tenra idade, seja por meio de palestras, seja por atividades lúdicas, corroborando para formação intelectual de jovens, influenciando, por fim, em escolhas que não coloquem em risco a própria vida. É imprescindível também que, o Pode Legislativo, atue de modo a elaborar leis que regulamentem a profissão dos "coach’s" no Brasil, visando uma equidade em disputas no mercado de trabalho, proporcionando quiçá, certa democracia. Somente assim construir-se-á um país democrático, e, tal como apregoado por "Hakuna Matata", livre de eventuais preocupações.

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