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A banalização do coaching

O sonho que pode virar pesadelo


Enquanto antigamente as pessoas se orgulhavam de sua solidez profissional alcançada a duras penas, hoje, a estabilidade financeira parece vir num manual de instruções. Isso pode ser visto quando muitos Coachings, ou desenvolvedores de competência, usam da necessidade de dinheiro e sucesso das pessoas para com clichês, como "você pode, é só querer", conquistar um público ansioso por brilhantura em curto prazo. Isso pode, porém, frustrar tais clientes, já que o sucesso não é linear, mas depende de vários fatores pessoais e sócio-econômicos, e desvalorizar a profissão, uma vez que profissionais sérios terminam tendo sua reputação manchada por charlatões que só visam o dinheiro.


Há tempos que o capitalismo deixou de ser um sistema econômico que visa apenas à compra de mercadorias, para visar também o comportamento. Isto é, a transformação em mercadoria de perfis de sucesso e beleza que, consequentemente, viram estima da maioria da população. Essa tendência é refletida na busca a todo custo pelas pessoas por dinheiro e sucesso, e no surgimento vertiginoso, e oportunista, de Coachings que prometem tais objetivos de forma fácil e genérica. Essa atitude causa tanto a desvalorização da profissão, como a frustração de clientes por um perfil que pode não lhes competir.


Nesse contexto, cabe considerar que nem todo sonho, comportamento ou desejo é de plena responsabilidade do sujeito, já que a sociedade que o cerca influencia, dificultando ou facilitando, sua jornada. Visto que, segundo Marx, os homens são responsáveis pela sua trajetória, mas não são livres para fazê-la, já que não lhes cabe as circunstancias sob as quais ela se encontra. Dessa foma, tira-se a ideia de que qualquer pessoa possa alcançar o que quiser em qualquer condição, e que cabe só a ela a possibilidade de sucesso.


Por tudo isso, é visível que as atividades de desenvolvimento pessoal levem em consideração as condições reais de realização, ou até de não realização. Para tal, uma legislação sob a supervisão do Ministério da Educação e do Ministério do Trabalho deve ser articulada com a participação de psicólogos, psiquiatras e pedagogos que visem uma formalização na formação da profissão, bem como da fiscalização e regulamentação da mesma, com a criação dos Conselhos Regionais. Cabe também um incentivo promovido pelo Estado de denúncia voluntária de profissionais não preparados, por meio de propagandas através dos meios de comunicação em massa. Dessa forma, os cidadãos estarão assegurados que seus sonhos não virem pesadelos.

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