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A autonomia da mulher brasileira nos casos de interrupção da gestação
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema alheio. Ao observar a autonomia da mulher nos casos de interrupção da gestação, no Brasil, atualmente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não na prática. Grande parte da sociedade brasileira não sente compaixão, clemência ou solidariedade para com as mulheres que desejam o aborto por algum motivo pessoal, seja ele moral, psíquico ou econômico.
Estudos mostram que, no Brasil, 22% das mulheres de 35 a 39 anos já realizou ao menos um aborto durante a vida. Um problema dessa magnitude precisa ser enfrentado como uma questão de saúde pública, levando em conta os casos de mortalidade devido a ilegalidade. Segundo a escritora britânica Virgínia Woolf, durante séculos, as mulheres serviram de espelho aos homens por refletirem suas imagens duas vezes maior que o natural. Analogamente, é possível perceber que, no Brasil, nota-se que as leis feitas, predominantemente, por homens (parlamentares ou legisladores, assim como dirigentes de igrejas), infelizmente, ignoram os direitos das mulheres, muitas vezes abandonadas, violentadas ou negligenciadas por eles. Um paradoxo.
Além disso, as mortes de jovens ? muitas vezes adolescentes e meninas ? em consequência de abortamento, é a quarta causa da mortalidade materna no Brasil. Muitas delas sobrevivem, todavia, com graves sequelas. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de pensar e agir. Assim, observa-se que a autonomia da mulher sobre seu próprio corpo é um direito humano fundamental e deve ser garantido.
É primordial, portanto, que o Governo dê voz às mulheres e, através de palestras em relação a questão do aborto, seja discutido de forma que elas e homens recebam informação de qualidade para saber usar adequadamente métodos anticoncepcionais e realizar o planejamento familiar apropriado. Desse modo, podem decidir o melhor momento de ter ou não ter filhos. Em contrapartida, valores religiosos e outras crenças de ordem pessoal não podem orientar legislações e políticas públicas. Cabe a cada mulher a decisão sobre seu corpo e suas questões sexuais e reprodutivas. Só assim a lei e as políticas públicas poderão garantir a proteção do conjunto da sociedade brasileira e esse ideal Iluminista finalmente possa sair da teoria para a prática.
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