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A autonomia da mulher brasileira nos casos de interrupção da gestação
De acordo com o filósofo inglês John Locke, a existência do indivíduo é anterior à sociedade e ao Estado, sendo a liberdade um dos direitos naturais do homem. Desse modo, é papel do Estado gerar leis que protejam essa liberdade, garantindo a autonomia de todos os indivíduos. Ao falar sobre a interrupção da gravidez, no entanto, a mulher não possui poder de escolha e nem autonomia garantida, tendo sua liberdade negada.
Bem como é possível observar na série espanhola La Casa de Papel, quando uma das personagens decide encerrar sua gravidez, a realidade de muitas mulheres gira em torno da falta de recursos para manter uma criança. Mesmo que na série a personagem tenha mudado de ideia, isso só foi possível graças à possibilidade de adquirir uma quantia suficiente, que a permitisse gerar e educar seu filho de forma que ambos pudessem ter uma vida normal, longe de adversidades. É importante notar que essa não é uma situação recorrente, e a grande maioria das mulheres não tem a mesma oportunidade, fazendo com que, dessa maneira, a interrupção da gravidez seja a alternativa mais viável, impedindo, assim, que a criança cresça sem a grande quantidade de recursos necessários para sua formação e sobrevivência.
No entanto, ao negar a liberdade de escolha à mulher, uma série de prejuízos é gerada, afetando não só sua saúde psicológica, como também sua saúde física. Sendo a maternidade uma tarefa difícil, que muitas vezes é erroneamente percebida como algo perfeito e fácil, caso a mulher, por obrigação, continue com a gravidez, ela fica mais propensa a desenvolver doenças psicológicas como a depressão pós-parto. Caso ela, por sua vez, decida interromper a gestação, terá de procurar clínicas clandestinas, que atuam sob péssimas condições, correndo o risco de sofrer lesões ou até mesmo vir à óbito, uma vez que os hospitais não oferecem o procedimento.
Sendo assim, é fato que essa problemática se mostra como algo extremamente prejudicial às mulheres, especialmente àquelas que possuem deficiências econômicas. Logo, é importante que medidas sejam tomadas para garantir a execução de sua liberdade e autonomia, além de sua saúde física e psicológica. É de responsabilidade do Estado, portanto, descriminalizar o aborto, permitindo que toda mulher tenha o direito e a liberdade de escolha, podendo interromper sua gravidez caso decida que essa é a melhor escolha para sua saúde. No entanto, também é importante que esse procedimento passe a ser executado por todos os hospitais, principalmente os públicos, assegurando que todas as mulheres tenham acesso a esse recurso, e impedindo que elas tenham que recorrer a alternativas menos eficientes. Assim, nos aproximaremos da definição de liberdade proferida por Locke, certificando a liberdade de todas as mulheres.
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