Texto I

[…] A história de Angela se repete entre de muitas outras pessoas trans que sofrem com a falta de reconhecimento. Ela percebeu que vivendo na rua estava diretamente exposta a riscos que hora ou outra a levariam à morte. Diante disso, foi em busca de um trabalho que a proporcionasse condições mais estáveis e arrumou uma posição como office-boy em um cartório em São Carlos, interior de São Paulo. À época, ela ainda não tinha todas as características femininas, o que acredita ter facilitado sua admissão. Ficou lá por 15 anos e aproveitou o período para fazer faculdade e especialização, enquanto construía sua identidade dentro do trabalho, “com muitos enfrentamentos”, como ela mesma destaca. “Saí de lá já como Angela, com nome e identidade afirmados e consolidados”. Foi a partir dessa vivência que percebeu a importância do trabalho para sua autoafirmação e para a afirmação social também.

Devido ao preconceito e a baixa escolaridade, grande parte dessas pessoas não consegue uma oportunidade no mercado de trabalho. E, mesmo as graduadas e aptas a exercerem uma profissão de alto desempenho, por vezes são recusadas por sua identidade de gênero, o que não deixa outra opção: muitas acabam na prostituição. “Você tem mais de 90%, isso é um dado da ANTRA [Associação Nacional de Travestis e Transexuais], mais de 90% de travestis e transexuais vivendo unicamente da prostituição. Isso é um aprisionamento social. A sociedade designou que esses seres humanos não possuem potencialidades para exercer outra função que não seja o trabalho sexual, aí elas são colocadas como objeto”, critica Angela.[…]

Fonte: http://economia.estadao.com.br/blogs/ecoando/transgenero-transexual-travesti-os-desafios-para-a-inclusao-do-grupo-no-mercado-de-trabalho/

Texto II

Em 1999, a goiana Rafaela Damasceno foi uma das primeiras transexuais a entrar em uma universidade pública no Brasil. A estudante, que tinha na época 23 anos, ingressou no curso de geografia da Universidade Federal de Goiás (UFG) cheia de esperanças e com o objetivo de seguir na carreira acadêmica. O preconceito e a intolerância de colegas e até de professores, porém, a obrigaram a abandonar o sonho e a sair da faculdade sem diploma.

[…]

“Se não fosse o ódio, eu não tenho dúvidas, hoje, eu seria doutora”, desabafa. Rafaela conta que, logo nas primeiras semanas de aula, percebeu que seriam tempos complicados. “No começo, era só eu passar que as pessoas se cutucavam, apontavam. Como se eu fosse um bicho.” As manifestações de preconceito se tornaram mais frequentes, e a dor de Rafaela aumentava. “Me chamavam de aberração”, diz, com a voz embargada, mesmo depois de tantos anos.

A gota d’água, que a fez desistir do sonho de ser uma educadora, foi motivada pela atitude de uma professora. “Durante uma aula, ela falou que tinha gente na sala que deveria estar em um salão de beleza ou em uma cozinha, não em uma universidade”, conta a hoje ativista dos direitos humanos. O trauma foi tão grande que Rafaela nunca se sentiu capaz de retomar os estudos. “Lembro de tudo e sinto medo. Não sei se consigo voltar a uma sala de aula.”

Fonte: http://especiais.correiobraziliense.com.br/violencia-e-discriminacao-roubam-de-transexuais-o-direito-ao-estudo

Texto III

[…] Para Cristian, que hoje vive em Curitiba, a maior parte das lembranças da escola, quando ainda vivia como menina, são de ameaças de colegas e funcionários. “Uma inspetora disse para eu ir embora, porque ninguém gostava de mim lá”, conta ele. Além de lhe acarretar uma depressão, a hostilidade o fez interromper os estudos duas vezes. Formado, Cristian hoje espera a mudança do nome na carteira de identidade para começar uma faculdade.

Violência e preconceito explicam a incorreta associação entre identidade de gênero e vontade pessoal. São também as razões da alta evasão escolar identificada por profissionais da educação. “Muitos não conseguem concluir nem o Ensino Fundamental, e 99% não chegam à universidade”, explica a professora transgênero Marina Reidel, autora de dissertação de mestrado na UFRGS sobre a trajetória de professores travestis e transexuais (que buscam correção cirúrgica para o que veem como distorção anatômica). Sem acesso ao estudo e, consequentemente, ao mercado de trabalho, a maioria cai na prostituição. […]

Fonte: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2014/03/apesar-do-aumento-de-vagas-jovens-tem-dificuldades-para-o-1-emprego.html

Texto IV

Fonte: http://www.revistaovies.com/questoes-lgbts/2015/04/pessoas-trans-escolas-e-universidades/

Com base nos textos motivadores e no seu conhecimento, produza um texto dissertativo-argumentativo tendo como tema: A inclusão de transgêneros no meio acadêmico.

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