A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “A ditadura da beleza”. Sua redação deve apresentar proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. Atente-se para o número mínimo de 7 linhas e máximo de 30 para desenvolver suas ideias.

 

 Texto 1

 O padrão de beleza imposto pela mídia

Por Henriette Valéria da Silva em 15/04/2014 na edição 794

Temos vivido a era dos direitos humanos, mas por desconhecer o poder de influência que a mídia, através dos meios de comunicação, exerce em nossas vidas, em como penetra em nossa mente, não percebemos que nossos direitos jamais foram tão violados como nos dias de hoje. Temos visto um verdadeiro massacre humano, de mulheres, adolescentes se matando para atingir um inatingível padrão de beleza imposto pela mídia. Em uma sociedade democrática, as mulheres tornaram-se escravas da indústria da beleza, tão difundida pelos meios de comunicação, os quais tem dilacerado a nossa juventude, pessoas que estão perdendo o prazer de viver, tornando-se solitárias, por estarem inconformadas com sua forma física, controlam alimentos que ingerem, para não engordar; esta escravidão assassina a autoestima, produz uma guerra contra o espelho e gera uma auto rejeição terrível.

[…]

Fonte:http://observatoriodaimprensa.com.br/diretorioacademico/_ed794_o_padrao_de_beleza_imposto_pela_midia/

Texto 2

Deixem as gordas em paz

Clara Averbuck

Por um mundo onde “você emagreceu” não seja elogio e “você engordou” não seja afronta (na foto, a modelo Tess Munster)

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Você emagreceu! Você está leve, está linda, está fina. Elegante. Está fazendo exercícios? Está comendo melhor? Parabéns!

Você engordou! Nossa, o que aconteceu? Relaxou? Está com problemas? É ansiedade? Já fez exames? Come muito doce?

Bom, preciso dizer que magreza não é sinal de saúde? Preciso dizer que 95% dos pacientes com anorexia são mulheres? Preciso dizer que a anorexia é inclusive tratada como epidemia em alguns países, tendo a doença alto índice de mortalidade (1 a cada 5 pacientes)?

Muitas mulheres convivem com essa neurose diariamente. Muitas mesmo. Quantas amigas suas vivem de dieta? Quantas amigas suas morrem de culpa por comer um pedacinho de bolo? Quantas mulheres entram em depressão por causa de seus corpos depois da gravidez? Quantas delas correm para a academia querendo entrar “em forma”  o mais rápido possível? Quantas tomam remédio pra emagrecer? Quantas morrem de vergonha de seus corpos na praia? Quantas conseguem ficar de boa ao vestir um biquini sem ter se esforçado pra estar “em forma”? E quantas das que eram gordas e emagreceram agora tiram onda das que continuam gordas? É claro que você pode ir pra academia. É claro que você pode malhar, pode inclusive ser musculosíssima, pois o corpo é seu. O que nós queremos é apenas que todos os corpos sejam aceitos. Todos os corpos. Os malhados. Os naturalmente magérrimos. E os gordos. Sim, as gordas querem ser aceitas e felizes. E amadas e bonitas e tratadas como pessoas normais, não como “aquela gorda”, estando isso à frente de tudo mais que ela for.

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A quem argumenta que as magras também sofrem: sim, todas as mulheres que estão fora do padrão de beleza sofrem. E as que não estão também. Nunca está bom. Você nunca vai ser boa o suficiente. Você vai pra sempre ter que pensar nisso. Mulher não pode engordar. Não pode ser muito magra. E não pode envelhecer. É ridículo ouvir  que “homem gosta de ter onde pegar”, como se agradar os homens fosse o objetivo final da vida de cada mulher. Todas sofrem. As muito magras, as negras, as gordas. Não estamos jogando supertrunfo da opressão.

[…]

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/blogs/feminismo-pra-que/deixem-as-gordas-em-paz-9363.html

 

Texto 3

Coluna Ricardo Setti

UM ESPANTO ABSOLUTO: Você está vendo esta boneca da foto? Pois ela é UMA PESSOA! A esse ponto chegou a loucura dos regimes e cirurgias plásticas

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UMA BONEQUINHA — Anastasiya Shpagina, ucraniana de 19 anos que pesa 38 quilos e faz  produção diária de várias horas: “As bonecas é que se parecem comigo” (Foto: Axel Schmidt / OtherImages)

INTERVENÇÕES RADICIAIS

A busca de uma suposta beleza extrema leva a transformações corporais possibilitadas por recursos médicos sem precedentes.

O autor das fotos mais discutidas do ramo avisa: todos poderão ser assim  no futuro.

 As pessoas nas fotos desta matéria são estranhas ou assustadoras? Feias ou belas?

Uma mistura de tudo isso?

O traço em comum é que certamente buscam um padrão de beleza hiperrealista, uma radicalização de elementos que, isoladamente, seriam considerados desejáveis, mas que causam a sensação de estranheza quando colocados juntos por meios só atualmente disponíveis da medicina estética.

Alguns homens, mulheres e adolescentes trilham hoje esse caminho extremo em circunstâncias diferentes. As duas pessoas com a aparência mais feminina nas fotos abaixo, nada surpreendentemente, são transexuais. Foram retratadas pelo fotógrafo  inglês Phillip Toledano com iluminação e tonalidades que lembram intencionalmente pinturas renascentistas, com o objetivo explícito de não mostrá-las como aberrações.

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DO OUTRO MUNDO — O ex-modelo Jedlica; Yvette (no centro), a Angelina de bisturi; e Allanah: extremistas da beleza fotografados como retratos renascentistas (Fotos: Phillip Toledano)

Na verdade, ele acredita que sejam o futuro. Toledano fotografa gente que se submete a múltiplas e radicais cirurgias no intuito de atingir uma imagem de perfeição estilizada.

Boca carnuda? Colocam tanto preenchimento labial que é difícil imaginar como conseguem falar.

Seios fartos? Usam próteses tão pesadas que a pele ameaça romper-se.

A loura Allanah Star, um nome evidentemente de fantasia, fez mais de dez liftings no  rosto e cinquenta outros procedimentos estéticos, tem 2 litros de silicone nos seios e uma prótese para arredondar o maxilar.

Há dezoito anos, a americana fez a primeira e a mais importante das cirurgias, a que a livrou do sexo masculino. “Sempre quis ser uma mulher cheia de curvas. Quanto mais volume, mais sucesso tenho na minha profissão”, diz.

Com razão: sua linha de trabalho são os filmes eróticos.

Ele fez 112 intervenções e se acha o homem mais bonito do mundo

 O jovem com ar de elfo é o ex-modelo americano Justin Jedlica. Já fez 112 intervenções  e imagina: “Sou o homem mais bonito do mundo”.

As principais? “Raspei o osso da testa para deixá-la reta, fiz cinco plásticas no nariz e tenho silicone no peito, nos braços e nas pernas.”

Seu sonho: “Que as próteses de silicone, no futuro, levem meu nome”.

Tanto ele quanto Allanah e a terceira fotografada, Yvette, atualmente sofrendo de grave enfermidade, claramente buscam copiar os traços da atriz Angelina Jolie.

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Referência de feminilidade triunfante e de tudo o que se entende por belo na era atual, a própria Angelina é adepta de uma das formas mais antigas de alteração corporal — as tatuagens — e chocou o mundo ao anunciar que havia trocado os seios naturais e saudáveis por próteses, por medo da probabilidade aumentada de câncer.

“É claro que as questões envolvidas  vão  muito além  da  beleza,  abrangendo  a facilidade atual de produzir transformações radicais e a enorme influência que as celebridades exercem”, analisa Catherine Hakim, cientista social do Centro de Estudos Políticos, em Londres.

Na categoria de suposta beleza radicalmente construída, enquadra-se o grupo específico das meninas que querem se parecer  com  as figuras  dos  mangás,  as  histórias ilustradas do Japão.

Uma hora por dia só para maquiar os olhos — e parecer uma boneca

A ucraniana Anastasiya Shpagina (na foto que abre esta matéria), 19, tem 1,58 metro de altura e vive em regime extremo para pesar mínimos 38 quilos.

Acorda todos os dias às 5 da manhã para se maquiar (só os olhos, anormalmente enormes, demandam uma hora de pintura) e se vestir a caráter. “Não me pareço com  uma boneca. As bonecas é que se parecem comigo”, costuma dizer Anastasiya.

A californiana Dakota Rose, 17, conhecida como Kotakoti no Japão, onde trabalha como modelo, faz vídeos de maquiagem nos quais mantém um silêncio misterioso. “Bonecas não falam”, explicou em uma de suas raras entrevistas.

As pessoas foram embora da galeria para não ver as fotos

“Em pouco tempo, por meio de procedimentos estéticos muito mais avançados, qualquer um vai poder se parecer com o que quiser. As pessoas que vemos aqui são a vanguarda desse movimento”, provoca o fotógrafo Toledano.

As intervenções corporais são um padrão existente desde sempre em todas as culturas humanas, mas Toledano sabe muito bem da estranheza que os recursos estéticos atuais podem criar: “Quando minhas fotos foram expostas em galerias, muita gente saiu antes  de ver todas”.

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QUARENTA CENTÍMETROS — A alemã Michèle Köbke: espartilho apertado e saúde afetada (Foto: Revista Gente)

Dificuldades para andar e para comer e pulmões afetados — mas ela se acha linda com 40 cm de cintura

A estudante alemã Michèle Köbke, 24, diz que nunca sentiu esse tipo de reação nas pessoas e sua transformação corporal, com o objetivo de ter a cintura mais estreita do mundo, não teve nenhuma cirurgia envolvida.

Durante  três anos,  Michèle  diz  que  usou  ininterruptamente espartilhos   apertadíssimos, como os do século XIX, para afinar a circunferência da cintura de 64 para meros 40 centímetros. “Eu acho que fico sexy assim. Tenho a sensação boa de estar sendo abraçada pelo espartilho”, diz Michèle, que não pode mais fazer refeições normais devido ao afunilamento do estômago. “Faço dez lanches por dia e minha saúde é ótima.”

Na realidade, ela tem dificuldade para andar porque perdeu músculos de sustentação das costas e da barriga, e sente falta de ar porque seus pulmões se fragilizaram.

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/um-espanto-absoluto-voce-esta-vendo-esta-boneca-da-foto-pois-ela-e-uma-pessoa-a-esse-ponto-chegou-a-loucura-dos- regimes-e-cirurgias-plasticas/#more-471459

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