Leia e interprete os textos motivadores que se seguem para desenvolver a proposta de redação desta semana.

Texto 1

Preconceito: pesquisa comprova que a mídia reforça estereótipos de gênero para crianças

Sim, os papéis dos personagens na TV, no cinema e na televisão ensinam o que a cultura espera do seu filho de acordo com o gênero.

NAÍMA SALEH

14 JUL 2017 – 11H19

Existe um movimento grande no sentido de libertar as crianças dos estereótipos de gênero. Ficou fora de moda achar que rosa é para menina e azul para menino. Famílias têm se esforçado para desconstruir a ideia de que eles não podem brincar de boneca, enquanto elas não podem preferir carrinhos. Uma porção de livros infantis que tratam do assunto foram lançados recentemente e muitas escolas têm trabalhado com carinho essa questão.

Mas será que todas essas iniciativas bastam, uma vez que filmes, programas de TV e até desenhos animados continuam reforçando os estereótipos de gênero? Parece que não. A pesquisa Watching Gender: How Stereotypes in Movies and on TV Impact Kids’ Development analisou 150 artigos, entrevistas, livros e outras pesquisas científico-sociais e concluiu que os estereótipos de gêneros estão mais persistentes nos programas de TV e filmes, a mídia é capaz de ensinar as crianças culturalmente o que se espera dos meninos e das meninas.

De acordo com a psicóloga e psicopedagoga educacional Marisa Irene Siqueira Castanho, conselheira da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), o modelo de família e de gênero que conhecemos teve origem no século 19, quando a sociedade passou a dar valor à criança e à sua educação associada a uma nova ordem social com a família nuclear, instituída pelo casamento e com papéis masculinos e femininos determinados. “O modelo heterossexual assumido nessa nova ordem social levou ao desenvolvimento de relações sociais dicotômicas que associam ao homem papeis masculinos de força, atividade, agressividade, trabalho, controle de emoções, e ao papel feminino, fragilidade, docilidade, passividade, aceitação.”, explica. Ou seja: o gênero é uma construção social, algo que pode variar de acordo com a cultura.

“Os procedimentos dessa pesquisa, se replicados no Brasil, trariam resultados semelhantes e provavelmente inesperados, uma vez que pela mídia não estamos sujeitos apenas a propagandas de roupas e brinquedos infantis, mas a programas que incitam violência e sexo explícito”, explica Marisa. E o problema é que as crianças entram em contato com essas ideias muito cedo, em um período em que estão construindo suas referências, solidificando paradigmas. Mais tarde, fica muito difícil de desconstruir esses padrões.

Infelizmente, não há como blindar as crianças dessas influências. Mas é possível, sim, oferecer, em casa outras possibilidades, que fogem dos modelos reproduzidos por personagens na ficção. “A escolha da brincadeira e dos brinquedos pelas crianças funciona como uma espécie de tubo de ensaio daquilo que os homens e mulheres fazem no mundo adulto do trabalho e que pode ser experimentado por elas, ampliando suas experiências e vivências, treinando suas competências, apontando caminhos e escolhas”, explica a psicopedagoga. Deixe que seu filho experimente, explore, brinque e questione.

E aproveite as oportunidades em que seu filho tiver contato com algum tipo de mídia – seja um filme, um desenho ou até uma propaganda – para ensiná-lo a questionar as informações que ele recebe. Comente as atitudes dos personagens, os enredos, estimule-o a pensar e a refletir. No mundo em que vivemos, o encontro com o outro, com o diferente, é inevitável. Inclusive com as ideias que são opostas aos nossos ideais. A grande questão é: como ensinaremos nossos filhos a lideram com elas? “As diferenças existem e não são elas o problema. O problema se instala quando, frente às diferenças, as relações de identidade  ordenam-se em torno de oposições binárias: masculino/feminino, branco/negro, heterossexual/homossexual, usando-se um dos pares para identificar o que é normal e esperado, em detrimento do outro que é discriminado e tratado com preconceito”, completa Marisa. Tenha isso em mente e o coração aberto para que seu filho aprenda a aceitar o diferente e tenha confiança de ser ele mesmo, independente do que se espera dele por seu gênero.

Fonte: www.revistacrescer.com.br  Acesso em 20/05/2020.

Texto 2

Nos últimos anos, Hollywood foi alvo de críticas por racismo e sexismo. Ambos são profundamente enraizados e podem ser percebidos nos atores diante das câmeras, nas pessoas que comandam o setor e também na representação de grupos sociais em filmes.

Para mostrar como os estereótipos evoluíram em Hollywood, a DW examinou clichês recorrentes em mais de 6 mil filmes que concorreram ao Oscar desde 1928.

Há muitos exemplos de caricaturas racistas ao longo da história de Hollywood. Negros e asiáticos são os alvos mais comuns. Um exemplo é Breakfast at Tiffany’s, com Audrey Hepburn, no qual o vizinho Mr. Yunioshi, com seus dentes tortos e sotaque típico, parodia um japonês.

“Racismo, na forma de exclusão do mercado de trabalho e de papéis estereotipados, marca a indústria cinematográfica de Hollywood já desde os seus primórdios, no início dos anos 1900”, escreve a socióloga Nancy Wang Yuen no livro Reel Inequality: Hollywood Actors and Racism.

De fato, nos primeiros anos, personagens asiáticos, quando existiam, apareciam sempre como clichês ofensivos: ou eram vilões misteriosos e ameaçadores ou caricaturas, como Mr. Yunioshi. Para completar, Mr. Yunioshi ainda é interpretado pelo americano Mickey Rooney, ou seja, é um exemplo de yellowface, um não asiático que é maquiado de forma caricata para se parecer com um asiático.

Essa prática era comum em Hollywood. Produtores relutavam em contratar atores de minorias. Em vez disso, eles colocavam brancos para interpretarem os papéis. O processo acabou se retroalimentando: preconceitos perdem força à medida em que pessoas de diferentes grupos étnicos passam a ter mais contato entre si.

“Só que os asiáticos eram historicamente segregados nos Estados Unidos. Ainda hoje, a maioria dos papéis de asiáticos e americanos de origem asiática não é interpretada por eles mesmo, mas por pessoas que não sabem muito sobre eles”, comenta o pesquisador Kent Ono, da Universidade de Utah e que estuda a representação de etnias na mídia.

“Entre as pessoas que não conhecem nenhum asiático, essa situação cria uma ideia curiosa sobre como os asiáticos são. E os asiáticos nos Estados Unidos frequentemente não consegue se identificar com as representações bizarras deles mesmos”, completa.

Clichês desse tipo estão reunidos no site Wiki TVTropes.org. Nele, usuários podem documentar todos os clichês que observam na mídia. Quais séries de TV sustentam que Elvis ainda está vivo? Quais games têm uma criança assustadora? E quais filmes têm personagens asiáticos interpretados por brancos?

Yellowface ainda é muito comum. Em 2012, o filme A viagem foi criticado porque muitos dos atores não asiáticos foram fantasiados de asiáticos numa parte da narrativa. A representação não pretendia ser uma caricatura, mas os críticos argumentaram que atores asiáticos poderiam ter desempenhado os papéis. O argumento era de que, como já há poucos papéis para atores asiáticos, e menos ainda para representações não estereotipadas, atores brancos não deveriam interpretar asiáticos.

O debate surgiu também quando Scarlett Johansson ganhou o papel principal no filme de ação da série japonesa Ghost in the Shell. Ou quando Tilda Swinton interpretou um personagem que originalmente era asiático em Doctor Strange.

Muitos dos piores clichês sobre asiáticos dos anos 1960 e 1970 sumiram dos cinemas. Um que se mantém irredutível, porém, é a dupla “branco forte, asiática suave”: um personagem branco e forte com uma parceira asiática submissa. Essa combinação alcançou seu auge mais tarde, já que, antes dos anos 1950, regras de censura rígidas impediam pares românticos de etnias diferentes nos EUA. Quando essa censura perdeu força, o estereótipo avançou.

Muitos dos antigos estereótipos deram lugar a outras representações na segunda metade do século 20. Nos anos 1970 e 1980, o sucesso dos filmes de Bruce Lee e de artes marciais fizeram surgir o estereótipo “todos os asiáticos sabem lutas marciais”. Só que, hoje em dia, a representação mais comum de um asiático é o chamado Model minority.

“São cientistas, médicos ou alguma profissão técnica. São os bons alunos que nasceram numa família rica e não costumam ter dificuldades econômicas”, explica Ono. Essa tendência não está registrada como clichê no Wiki TVTropes, mas ela encontra sua melhor representação no estereótipo do nerd asiático, que ganhou espaço nos últimos anos.

Segundo o Hollywood Diversity Report, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), Hollywood ainda tem um longo caminho pela frente. Apesar de os asiáticos serem 6% da população americana, eles ocuparam apenas 3% dos papéis em 2017 e 2018. Os negros ocupam 12,5% dos papéis, o que é quase o mesmo percentual de sua representação na população dos Estados Unidos. Porém, em muitos casos os personagens negros não aparecem bem na tela.

Negros morrem antes

Nos primórdios de Hollywood, personagens negros frequentemente também não eram interpretados por atores negros. Na verdade, eles quase não apareciam, salvo como representações caricaturescas, interpretados por brancos, o chamado blackface. Essa prática vem da tradição teatral americana, que é cheia de estereótipos racistas de negros.

Hoje, o blackface é inaceitável, mais ainda do que yellowface. Ele praticamente não é mais usado em filmes, salvo para criticar essa prática. Em Dear white people, por exemplo, membros de uma fraternidade organizam uma festa blackface na universidade. O filme, assim como a série da Netflix a que ele deu origem, usaram essa cena como base para um debate sobre racismo nas universidades dos Estados Unidos.

Mas, à medida em que o número de caracteres e personagens negros em Hollywood aumentava, outros estereótipos inevitavelmente foram surgindo. Até hoje, homens negros costumam ser apresentados como amedrontadores ou bravos, e mulheres negras, como barulhentas e atrevidas. Quando um filme tem um personagem negro, muitas vezes ele é o melhor amigo negro. E quando pessoas morrem num filme, muitas vezes o personagem negro é o primeiro. Nada disso mudou nos últimos anos, apesar de uma maior consciência sobre estereótipos.

Latinos são amantes

Os latino-americanos são, com cerca de 18% da população, a maior minoria étnica nos Estado Unidos. Assim, não surpreende que eles também representem uma boa porção dos estereótipos que aparecem nos filmes de Hollywood. Uma olhada em 2.682 filmes desde o ano de 2000 mostra que o suposto sex appeal é a característica mais associada aos latinos.

A mulher latino-americana frequentemente aparece como a spicy latina: temperamental, sedutora, atraente, que sabe se defender sem perder a imagem de sensualidade. Já os homens muitas vezes desempenham o papel do amante latino, com um visual pré-definido (pele morena, cabelo escuro) que serve como generalização de todos os homens latino-americanos.

Alemães são quase sempre os nazistas

Estereótipos que se apoiam em acontecimentos históricos podem ser especialmente dolorosos. Para os alemães, que reconhecem sua culpa pelos crimes cometidos no regime nazista, ver frequentemente personagens alemães nazistas não é nada agradável. E, considerando os filmes de 2000 para cá, este ainda é o estereótipo mais comum: o de que todos os alemães são nazistas.

Logo em seguida vem outro clichê difícil de ser enterrado: o do cientista alemão. Esse, pelo menos, é um estereótipo positivo e que encontra sua origem em cientistas verdadeiros, que fugiram do regime nazista para os Estados Unidos. O mais famoso deles é Albert Einstein.

Russos são beberrões e grosseiros

Até hoje as representações de russos em filmes de Hollywood são marcadas pelas imagens criadas na Guerra Fria. O estereótipo mais comum é o personagem beberão, machão e grosseiro. Nos filmes, esses caracteres precisam suportar de tudo, são os que mais se machucam e costumam viver vidas duras e de grandes privações.

É também muito comum que russos sejam interpretados por atores que não são russos. Em Rocky 4, por exemplo, o sueco Dolph Lundgren interpreta o boxeador Ivan Drago. O mesmo ocorre com Arnold Schwarzenegger em Fogo contra fogo e com Viggo Mortensen em Senhores do crime. Durante a Guerra Fria, havia uma compreensível carência de atores russos em Hollywood. Mas, mesmo hoje em dia é essa uma das características mais comuns dos personagens russos.

Fonte: https://www.dw.com/ Acesso em 20/05/2020.

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Fonte: https://desabafosocial.com.br Acesso em 20/05/2020.

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