Lucas Felpi, que tirou nota 1000 na redação do ENEM 2018, preparou uma dica de repertório sociocultural para vocês: como usar a série The Handmaid’s Tale na redação! Bora conferir?

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SÉRIE: THE HANDMAID´S TALE (O CONTO DE AIA)

2017- • 3 temporadas • 60min • 18+

Sinopse: “Gilead tem um regime que trata mulheres como propriedade. Offred é uma das poucas mulheres férteis e serva do Comandante, buscando sobreviver e encontrar a filha que foi tirada dela.”

1ª TEMPORADA (SEM SPOILERS)

DESASTRES AMBIENTAIS

No futuro distópico de The Handmaid’s Tale, a poluição do ar causada pelos humanos levou à infertilidade de grande parte da população. Com chance de 1 em 4 de ter um filho saudável, fundamentalistas recorrem a um golpe político nos Estados Unidos para isolar as mulheres férteis restantes em uma casta reprodutiva: as Aias. O mais assustador é que há estudos que realmente comprovam o efeito da poluição na taxa de fertilidade (Fonte: “Exposição a partículas finas ambientais e qualidade do sêmen no Taiwan”, 2017).

DIREITOS DAS MULHERES

No novo regime, chamado de Gilead, as mulheres servem papéis sociais divididas em castas: Esposas, Marthas, Aias, ou Não Mulheres. Todas as mulheres são submissas aos seus maridos, Comandantes e ao Estado e privadas de ler, escrever, ou ter acesso a qualquer produto cultural.

ESTUPRO E ESCRAVIDÃO SEXUAL

As Aias são as únicas mulheres férteis na sociedade gileadiana, vistas como objetos reprodutivos que assistem Esposas e seus maridos a terem filhos. Nas chamadas Cerimônias, ocorridas mensalmente em seus períodos férteis, as Aias são estupradas por seus Comandantes enquanto deitadas nas pernadas da Esposa. Depois da gravidez, elas devem entregar o bebê ao casal e dirigir-se à próxima casa.

A assustadora realidade de The Handmaid's Tale | Cenas, Atriz, Cena

RELIGIÃO E TEOCRACIA

Gilead é uma teocracia, um regime no qual Estado e Igreja são fundidos. A Cerimônia, por exemplo, é baseada na interpretação distorcida da passagem bíblica de Lia e Raquel, pela qual servos férteis podem cometer adultério para dar filhos a casais inférteis, mas ignora princípios-base do livro sagrado. Além disso, vê-se a intolerância religiosa em vigor, quando judeus são levados ao Muro e enforcados por sua fé.

MANIPULAÇÃO DA HISTÓRIA

Uma casta menor de mulheres, as Tias, são as responsáveis pela educação e controle das Aias, sendo o símbolo de manipulação de Gilead. As Tias reproduzem vídeos do passado com teor violento e assustam as Aias a fim de convencê-las de que aquilo é uma benção. Uma delas, Tia Lydia, conta como antes os homens violentavam as mulheres na rua e hoje elas não precisam mais ter medo. Afinal, o estupro foi institucionalizado.

A IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM

A linguagem do universo de The Handmaid’s Tale tem papel essencial: Gilead cria um vocabulário oficial que serve à elite patriarcal. Ela priva as mulheres de seus nomes pessoais: Offred, por exemplo, que é “Of” + “Fred” = “de Fred”, nome de seu Comandante. Há cumprimentos oficiais, como “Abençoado seja o fruto”, e nomes de eventos, como a “Cerimônia” e os “Salvamentos”, que facilitam a manipulação, assim como a Nova Língua em “1984” de George Orwell.

2ª TEMPORADA (COM SPOILERS)

HOMOFOBIA

Além de crença em outras religiões, Gilead condena a homossexualidade sob pena de enforcamento dos chamados “Traidores de Gênero”. Vemos o passado de Emily, uma das atuais Aias, que, antes do golpe, vê seu colega de trabalho gay sendo assassinado e depois é proibida de viajar com sua esposa por seu casamento não ser mais reconhecido.

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CASAMENTO INFANTIL

Na 2ª temporada, o motorista dos Waterford, Nick, é concebido uma Esposa, mas se surpreende que esta seja uma garota de 15 anos, Eden. A jovem prometida ao homem de 30 anos é completamente mergulhada nos valores do regime e sonha mais do que tudo em servir seu marido e concebê-lo filhos. A normalização do casamento infantil em diversas culturas é pauta de direitos das crianças.

RELAÇÃO MÃE-FILHO

Durante toda a série e livro, a protagonista June vive em busca de sua filha, tirada de sua guarda ao tornar-se uma Aia. Agora novamente grávida para seu Comandante, ela não quer entregar seu bebê e faz de tudo para tirá-lo do país. Vemos a força da maternidade e do laço mãe-filho, pelo qual ela arrisca sua vida em diversos momentos em um regime totalitário.

TORTURA E MUTILAÇÃO

Após episódios de rebelião das mulheres, oficiais torturam as mesmas com castigos desumanos. Em caso de leitura ou escrita por mulheres, a pena é a perda de um dedo (o que ocorre com Serena). Em casos mais graves, como o de Emily, a pena pode chegar a ser a mutilação genital feminina, violência ainda cometida hoje em alguns países.

3ª TEMPORADA (COM SPOILERS)

DOENÇAS MENTAIS E SUICÍDIO

Eleanor, a esposa do novo Comandante de June, sofre de distúrbios mentais principalmente pela culpa que carrega de seu marido ser um dos criadores de Gilead. Um dos maiores problemas vistos é a falta de medicamentos para auxilia-lá e a negligência à saúde mental da população, chegando a levar Eleanor ao suicídio. Em outro episódio, June é forçada a passar meses na mesma posição em um quarto de hospital, levando-a à loucura.

Segunda temporada de The Handmaid's Tale - O Conto da Aia estreia ...

REBELIÃO

Um dos maiores ensinamentos que The Handmaid’s Tale traz é o da importância da unIão contra regimes opressores. Ao longo das 3 temporadas, todos os grupos de mulheres (Aias, Marthas e Esposas) têm momentos de desobediência coletiva, o que gradualmente enfraquece Gilead. O engajamento social das mulheres é a força transformadora dessa realidade. Como diz June: “Eles não deveriam ter nos dado uniformes, se não queriam que nos tornássemos um exército.”

EXEMPLO DE INTRODUÇÃO
Tema: “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira” (Enem 2015)

Na distopia canadense “O Conto da Aia”, as mulheres férteis restantes no mundo são estupradas por Comandantes para cumprir a função reprodutiva das Aias. Embora muitos homens também tenham se tornado infertéis pelo processo da poluição atmosférica, a solução patriarcalista foi um sistema em que as mulheres são submissas e violentadas. Afinal, o universo criado por Margaret Atwood não difere muito da realidade brasileira: a persistência da violência contra a mulher deve-se majoritariamente ao cultivo de uma cultura patriarcal aos meninos desde a infância, os futuros agressores.

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