Argumente sobre o “complexo de vira-lata” a partir de algumas referências que selecionamos pra você. Afinal,  escrever sobre o sentimento de inferioridade que muitos brasileiros manifestam pode não ser uma tarefa tão fácil.

Você já conferiu a proposta de redação sobre o tema “O complexo de vira-lata do povo brasileiro?

Se sim, agora é hora de selecionar e organizar os argumentos para defender o seu ponto de vista sobre o assunto. Lembre-se de que você pode concordar ou discordar sobre a existência desse sentimento de inferioridade conhecido como o complexo de vira-lata. Assim, o mais importante é você saber defender sua tese a partir de repertório sociocultural pertinente. Além disso, é importante fazer uso produtivo desse referencial que você colocará no seu projeto de texto. Vamos conhecer algumas fontes sobre o assunto?

 1. Crônica: Complexo de vira-latas, de Nelson Rodrigues

Antes de mais nada, leia a crônica escrita por Nelson Rodrigues que cunhou o termo no nosso imaginário. Como pôde ser visto nos textos motivadores, é a partir da ideia colocada nesse trabalho do escritor e dramaturgo que, até hoje, demonstramos subserviência ao que vem de fora. A  expressão originalmente referia-se ao trauma sofrido pelos brasileiros em 1950, quando a Seleção de futebol nacional foi derrotada pela uruguaia na final da Copa do Mundo, em pleno Maracanã. Porém, o autor afirma que não só nessa área esse complexo se apresenta:

Por “complexo de vira-lata” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima.

2. Entrevista com o economista Eduardo Gianetti

Neste vídeo, disponibilizado pelo Canal Futura, o sociólogo Sérgio Abranches conversa com Eduardo Gianetti a respeito das possibilidades de o Brasil pensar suas questões sem “olhar tanto pros outros”. Gianetti comenta também seu ensaio “O elogio do vira-lata“, no qual explica um pouco como surgiu essa ideia de subalternidade do brasileiro.

3. Documentário: O complexo de vira-latas

O sentimento que a expressão encerra é marcado por derrotismo, pessimismo e má informação. Certamente, está  ligado a uma negação do que é ser brasileiro. O documentário explica esse sentimento, trazendo breve panorama social e político da realidade nacional. A obra, dirigida por Leandro Caproni, tem cerca de 23 minutos e está disponível no canal da Sem corte filmes, no Youtube.

4. Ariano Suassuna e o anticomplexo de vira-lata

Para não dizer que não falamos de orgulho, veja esse trecho de uma palestra de Ariano Suassuna, na qual ele reafirma as coisas boas que são brasileiras, como a nossa língua. Além disso, ele mostra de forma divertida situações em que viu o estrangeiro ser mais valorizado que o local. São 3 minutinhos com o saudoso mestre, e vale muito assistir!

5. Artigo: O complexo de vira-latas: uma leitura anticolonial

Escrito por José Dário dos Santos, mestre em História pela UFPE. O artigo comenta como tal complexo, que foi imortalizado pela crônica de Nelson Rodrigues, ajuda a compreender o fenômeno da colonialidade no Brasil. Dessa forma, apresenta alguns contextos históricos mostrando que, antes de sermos o país do futebol, éramos reconhecidos por outras características. No entanto, parte desse reconhecimento deveu-se a estereótipos e exotismo em torno do Brasil. Para o historiador,

A percepção rodrigueana de que, na verdade, o que pesava sobre nossos jogadores, não era a falta de técnica, mas sim o deslumbramento e a divinização do europeu, remete-nos ao imperativo colonial.

Leia o texto na íntegra!

6. Reportagem: Desalma e o complexo de vira-lata 

Se você faz parte dos fãs de Dark e ouviu comparações dessa série com Desalma, recém-lançada pela Globoplay, precisa ler esta reportagem. Mas o que isso tem a ver com o complexo de vira-latas? Então, nas redes sociais, muita gente acusou os críticos do produto nacional de “viralatismo” por preferirem obras internacionais. A socióloga Telma Nascimento, assim, foi consultada para discorrer sobre o assunto. Segundo ela,

O brasileiro foi criado para admirar o que vem de fora porque sempre acreditamos que aqui nada presta. Faz parte da formação moral do brasileiro muito antes da TV, mas a televisão certamente ajudou com esse raciocínio.

Você costuma comparar obras audiovisuais brasileiras com as estrangeiras? Concorda com a discussão provocada pela crítica às séries? Esse pode ser um bom “gancho” para tratar do tema na sua redação.

7. Livro: Subcidadania brasileira: para entender o país além do jeitinho brasileiro, de Jessé Souza

Jessé Souza é crítico da corrente acadêmica que busca na herança colonial portuguesa e no patrimonialismo – pais do famoso “jeitinho” – as chaves para desvendar todos os males da sociedade brasileira. Assim, afirma que a soma de privilégios acumulados pelas elites, aliada a um racismo estrutural, são os verdadeiros responsáveis por nossas desigualdades. Esse racismo cria, portanto, cidadãos de segunda classe. Isso acaba por reforçar um complexo de vira-lata no brasileiro, segundo o autor.

Partindo de referências do porte dos sociólogos Pierre Bourdieu e Charles Taylor, o livro busca explicar esse conceito, quais são os pilares que o sustentam e como ele é utilizado politicamente para perpetuar o abismo social permanente no país. É um livro para pensar e debater o Brasil do passado e da atualidade. Certamente é uma leitura mais densa. Todavia, se você tiver oportunidade de acessar essa obra, é provável que ela seja pertinente para outras discussões e temas que podem surgir em prova.

Gostou das nossas dicas? Como sempre, lembramos que é importante você fazer sua própria pesquisa. Afinal só você sabe quais argumentos serão mais pertinentes e produtivos no seu projeto de texto. Precisa de ajuda para saber se está mandando bem na redação? Conheça nossa plataforma e conte com a orientação dos nossos corretores!

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