Há algumas semanas, fizemos aqui no blog um apanhado geral sobre o uso dos sinais de pontuação como elemento essencial para conferir sentido à mensagem e à redação como um todo.

Hoje, de maneira mais específica, trataremos sobre o uso das aspas, já que elas são aplicadas em situações bastante determinadas, que não podem passar em branco e sua falta pode levar a descontos de conceitos.

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Casos de uso das aspas na redação

Existem três usos de maior amplitude no caso das aspas na redação e na modalidade escrita como um todo. São eles:

1- Para marcar citações:

As citações são elementos frequentes nas redações, mas é preciso usá-las com bastante cuidado, pois, de acordo com as normas de correção do ENEM, por exemplo, é preciso haver ao menos sete linhas de autoria do candidato, sem nenhuma repetição dos textos motivadores ou outros textos.

Ainda que o candidato altere uma palavra ou outra ou mude os sinais de pontuação originais, mantendo-se exatamente a mesma ideia, sem evidências de interpretação e compreensão, considera-se cópia da mesma maneira.

Ao se incluir no texto uma citação de uma frase célebre, de amplo conhecimento e sem a atribuição de autoria no início do parágrafo, é obrigatório que o trecho citado seja marcado por aspas no início e no fim.

Cabe ao candidato escolher se a citação será feita na íntegra, utilizando assim o recurso das aspas, ou se a atribuição da autoria será realizada na abertura do parágrafo e somente a ideia central será citada, mas com a versão do candidato. É possível também recorrer aos dois recursos.

Não há maior valorização de uma forma em detrimento da outra, mas é importante  que haja padronização nas formas de se fazer citações ao longo da redação.

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Veja como o candidato Gabriel Lopes, nota 1.000 na redação do ENEM 2019, fez sua citação:

“Tal cenário reforça a ideia da teórica Vera Maria Candau, que afirma que o sistema educacional atual está preso nos moldes do século XIX e não oferece propostas significativas para as inquietudes hodiernas.”

Fonte: www.g1.globo.com

A opção de Gabriel foi a de atribuir autoria antes da citação e é possível observar que a citação de Vera Maria Candau não foi feita na íntegra, com cada palavrinha exatamente no mesmo lugar, mas sim com a ideia central mantida e com a organização da frase na versão do autor da redação.

E como sabemos disso? Simples, Gabriel não se utiliza de aspas. Caso a ideia fosse integrada ao texto na forma totalmente original, as aspas seriam completamente obrigatórias e a não presença delas configuraria erro de pontuação.

Mas o corretor vai saber que a ideia presente ali no texto não é minha?

Sim, o corretor vai saber, pois existe algo chamado nível e estilo vocabular. Falamos mais sobre isso em outro post, CLIQUE AQUI PARA CONFERIR!

Todos nós temos uma forma muito particular de escrever, selecionar palavras, sinais de pontuação e organizar as frases. O corretor é alguém muitíssimo acostumado a analisar esse fator em redações e conseguirá perceber seu nível e estilo vocabular de forma bastante fácil e rápida.

Quando há uma ou mais frases que fogem totalmente ao seu estilo, o corretor é capaz de notar essa discrepância já na primeira leitura, por isso, nunca se utilize de ideias que não são suas sem dar o devido crédito.

Não se esqueça de que o foco principal de qualquer redação é analisar como o candidato se expressa por meio da modalidade escrita numa produção original.

2- Para marcar palavras estrangeiras:

Simplesmente amamos um termo em outra língua, é uma tendência nossa, brasileiros, mas a inclusão de palavras que não pertencem à Língua Portuguesa frequentemente não é uma boa ideia.

A menos que haja uma relação direta e íntima com o tema do texto, evite mesmo, de verdade, colocar termos que não são da nossa língua, mas, caso haja a necessidade de se usar uma palavra estrangeira, ela deve ser marcada com aspas.

A marcação com aspas em termos estrangeiros serve justamente para indicar ao leitor que aquela palavra não pertence ao nosso vocabulário e está “emprestada” de outro idioma.

O uso do estrangeirismo, tão comum em redes sociais e na comunicação oral do dia a dia, não tem espaço nas redações de grande porte e não é visto com bom olhos.

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3- Para destacar títulos/nomes:

Muitas vezes, em nossas redações do ENEM, vestibulares e concursos, utilizamos a passagem de um livro ou filme como apoio para nossa argumentação. Essa é uma estratégia excelente, mas os títulos de filmes e livros devem sempre vir entre aspas.

A inclusão das aspas nesta situação serve para indicar que o que está entre elas, além de não ser de autoria do candidato, é um título e não a continuação natural do parágrafo.

Novamente, vamos analisar o que Gabriel Lopes, já citado anteriormente, fez em sua redação:

“O longa-metragem nacional “Na Quebrada” revela histórias reais de jovens da periferia de São Paulo, os quais, inseridos em um cenário de violência e pobreza, encontram no cinema uma nova perspectiva de vida.”

Fonte: www.g1.globo.com 

O nome do filme citado (Na Quebrada) veio corretamente entre aspas. Veja que, sem o uso das aspas, a frase poderia até mesmo ser interpretada de outra forma:

“O longa-metragem nacional Na Quebrada revela histórias reais de jovens da periferia de São Paulo, os quais, inseridos em um cenário de violência e pobreza, encontram no cinema uma nova perspectiva de vida.”

Da maneira como o trecho ficou redigido agora, uma possível interpretação é que o longa-metragem foi feito “na quebrada” ou que a revelação das histórias reais de jovens da periferia só acontece “na quebrada”, algo totalmente incoerente com o que o candidato quis expressar. Não fossem as letras maiúsculas, poderíamos até nos enganar.

O que nos leva a outro detalhe essencial que, com certeza, você já está cansado de saber: títulos devem ser sempre redigidos em letra maiúscula, independentemente da posição em que aparecem na frase (início, meio ou fim). Pode parecer uma besteira, mas muita gente acaba deixando essa regrinha para trás.

E muita gente, na correria e ansiedade por finalizar a redação, consegue se lembrar de abrir as aspas, mas não de fechá-las. Caso isso ocorra, o corretor entenderá que tudo o que está escrito a partir da abertura das aspas é citação, além de haver o famoso desconto de conceito por erro de pontuação.

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Há ainda mais um uso frequente das aspas em outras modalidades e situações textuais, mas que não é comum em redações avaliativas no gênero dissertativo-argumentativo: as aspas para marcar alteração de sentido, normalmente para se criar efeito de ironia.

Veja como isso ocorre no exemplo abaixo:

Aquela garota “linda” convidou seu melhor amigo para um jantar num restaurante japonês.

Obviamente, as aspas utilizadas no linda, além de exercerem efeito de destaque, ainda revelam que o sentido do adjetivo é justamente o oposto.

Como as redações do tipo dissertativo-argumentativo tratam de fatos, dados, comprovações e outros elementos do gênero, a ironia não tem espaço.

Se você aplica a figura de linguagem da ironia com frequência em seus textos, é bom começar a se policiar nesse sentido e ter mais atenção a esse fator no momento da escritura e da revisão das suas redações.

 

E então, já estão afiadíssimos (as) para usar as aspas da maneira correta em sua redação? Esperamos que sim! Conte aqui pra gente nos comentários quais outros sinais de pontuação têm tirado seu sono. Quem sabe logo mais não preparamos um material especial sobre o assunto?

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