Se você está se preparando para a prova de um concurso público, com certeza sabe sobre a importância da redação nesse tipo de teste. A grande maioria das bancas corretoras atribui peso relevante para os conceitos obtidos na redação na formulação da nota final e, consequentemente, na classificação geral dos candidatos, o que pode te fazer ser aprovado ou não.

Apesar de sabermos que o gênero textual exigido nas redações de concurso é, com frequência, a dissertação argumentativa (temos várias dicas de quais são as características e de como devemos construir uma dissertação argumentativa aqui na página), existem diferenças significativas com relação à escolha de temas, forma de desenvolvimento e correção entre uma produção textual para um concurso e para o ENEM, por exemplo.

Uma das diferenças mais consideráveis é a respeito do tema. Nos concursos, os temas costumam ser relacionados à atividade a ser exercida no caso da aprovação naquele teste, por isso, durante sua fase de preparação, é essencial pesquisar quais são os principais assuntos ligados à profissão, como é o dia a dia de trabalho e quais são os problemas essenciais em torno das tarefas.

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É muito interessante que você conheça a realidade da profissão, quais vão ser, de fato, suas atribuições, com que público você irá atuar e, sobretudo, qual problema/necessidade essa ocupação procura resolver/sanar. Todas as profissões existem por um propósito. Qual é o propósito do seu futuro cargo? Tendo todas essas informações em mãos, você estará bem mais preparado para redigir seu texto e poderá alcançar conceitos melhores.

O tempo também costuma ser um grande vilão das redações de concurso. Não é raro vermos organizadoras destinarem cerca de 60 minutos para a produção da redação e é claro que isso pode ser uma fonte de ansiedade e preocupação para quem vai fazer a prova. As técnicas que recomendamos para auxiliar na resolução desse problema são três:

– Aprenda a fazer a organização textual mentalmente: Somos muito habituados a fazermos rascunhos e planejamentos textuais por escrito, esse é um costume que a escola nos ensina e incentiva e que o ENEM e os vestibulares nos permitem colocar em prática, porém, em concursos, o tempo é curto e cada minuto deve ser aproveitado da melhor forma possível, sendo assim, desenvolver um lindo e maravilhoso rascunho escrito está fora de cogitação.

Treine sua mente para, após ler o tema proposto, conseguir montar um esquema mental de qual caminho você percorrerá ao longo do texto, que ideias serão desenvolvidas, quais serão as citações, como você resolverá o problema contido na temática e o que é necessário para que o problema seja resolvido de forma efetiva, real.

Logo no início de seus estudos, você pode manter o planejamento e o rascunho escritos, mas, com o avançar do cronograma, é fundamental que você migre para a versão mental, pois isso economizará um tempo precioso no dia da prova.

– Cronometre o tempo: Quando você já tiver feito a migração do planejamento escrito para o mental, comece a cronometrar o tempo gasto nos processos de planejamento, escrita e revisão da redação. Muito possivelmente, nas primeiras tentativas, você irá ultrapassar os 60 minutos estabelecidos, isso é absolutamente normal, natural e esperado, entretanto, com treino constante, todas as fases da produção textual vão se tornando mais claras, fazendo com que você gaste menos minutos em cada uma delas.

– Aumente seu vocabulário: Conforme você estiver produzindo seus textos, note que por diversas ocasiões você precisará utilizar a mesma palavra, mas a repetição de termos ao longo da redação não é algo bem vindo, uma vez que indica pouca riqueza vocabular (um dos aspectos avaliados pela enorme maioria das bancas corretoras na composição da nota final).

A melhor forma de aumentar seu vocabulário é fazer uma lista de sinônimos. Procure saber quais palavras e expressões aparecem com maior frequência em seu texto e, a partir daí, busque novas maneiras de escrever a mesma coisa, mas com um termo diferente. Existem vários dicionários físicos e on-line que podem te auxiliar nessa tarefa.

Ah, e não se esqueça: a linguagem requerida numa redação de concurso é sempre formal, por conta disso, gírias e expressões populares não são bem vindas, a menos que o tema permita essa abordagem.

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Por falar em tema, certas bancas, como o CESPE (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília), por exemplo, já trazem na própria proposta de redação quais são os tópicos que devem ser desenvolvidos em seu texto. Seguir a ordem e os subtemas exigidos é obrigatório ao candidato e o ideal é que cada tópico seja abordado num parágrafo diferente. Leia sempre com extrema atenção a proposta de redação, os textos motivadores, o tema e os subtemas para ter certeza de que você não está se desviando daquilo que se pede.

Outra banca que é sempre cotada para a organização de muitos concursos é a VUNESP (Fundação para o Vestibular da UNESP). Por cuidar de concursos para cargos das prefeituras, Polícia Civil do Estado de São Paulo, Tribunal de Justiça, Detran, Cetesb, entre outras, a redação acaba exigindo que o candidato conheça um pouco sobre as leis que norteiam seu futuro cargo, então é bastante inteligente apostar no estudo da aplicação das leis para poder construir sua redação.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) tem por característica optar por temas que exigem que o candidato se posicione positiva ou negativamente a respeito do assunto, por conta dessa característica em específico, a argumentação é um dos elementos que mais contam pontos para a banca corretora. Além disso, a conclusão precisa conter uma retomada (sem repetição) do ponto de vista adotado na introdução.

A FGV é responsável pelos concursos da Polícia Civil do Rio de Janeiro, concursos de câmaras municipais diversas, secretarias dos municípios e pela famosa prova da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

A CESGRANRIO (Centro de Seleção de Candidatos ao Ensino Superior do Grande Rio) produz as provas dos concursos para a Petrobras, bancos diversos, IBGE, Liquigás, entre outras instituições. É mais uma organizadora que apresenta com clareza o que deve (ou não deve) conter na redação. Todas as instruções já são divididas por tópicos na apresentação da temática e o candidato precisa seguir à risca as regras estabelecidas.

A FCC (Fundação Carlos Chagas), que realiza provas para cargos federais, estaduais e municipais, tem uma característica um tanto quanto diversa das demais: a depender do cargo, além da redação, o candidato ainda deve responder a duas questões discursivas (de tema já estabelecido no edital) com tamanho médio de 20 linhas, ou seja, a preparação aqui é dupla.

Especificamente sobre a redação, a FCC tem três frentes de avaliação para atribuição de nota: conteúdo (desenvolvimento do assunto), estrutura (características do texto dissertativo argumentativo e organização dos parágrafos) e expressão (coesão, coerência, ortografia, gramática e pontuação), sendo que conteúdo é a frente que conta com maior conceito a ser alcançado (5 pontos), em comparação aos 4 pontos da estrutura e 1 ponto da expressão. 

É uma banca bastante metódica e que exige que o candidato esteja sempre atento à qualidade de desenvolvimento das três frentes citadas no parágrafo acima.

De forma geral, independentemente da banca, todas as redações requerem que o candidato se atenha ao tema, sem desvios, ao gênero textual cobrado (com muitíssima frequência, o texto dissertativo-argumentativo) e às normas básicas de ortografia, gramática e pontuação da Língua Portuguesa, apresentando seus argumentos de forma clara, coerente, com citações que de fato contribuam com o desenvolvimento da argumentação. Essa já é uma receita pronta, mas que exige bastante treino e dedicação para que dê certo. 

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