Figuras de linguagem: exemplos, definições e aplicações

por | nov 12, 2021

Saber o que são as figuras de linguagem e exemplos de cada uma delas é importante para conseguir aplicá-las na redação do ENEM da forma correta. Esses elementos gramaticais são tão importantes que todos os candidatos devem conhecer e dominar! Entretanto, como outros pontos que envolvem a linguagem, ainda há muitas dúvidas acerca do tema.

Acredite: quem domina as principais figuras de linguagem consegue potencializar seu resultado no Exame Nacional do Ensino Médio e alcança, assim, a aprovação no curso dos sonhos. Foi pensando nisso que elaboramos um conteúdo com as principais figuras de linguagem para você se inspirar.

Nesta publicação, você tem acesso aos conceitos sobre as principais figuras de linguagem, com exemplos e aplicações para suas produções textuais. Continue lendo e tire suas dúvidas!

Veja também nosso post sobre os principais gêneros textuais como utilizá-los de forma certa!

Afinal, o que são figuras de linguagem?

As figuras de linguagem são artifícios estilísticos com diversas finalidades, dando destaque às formas e artimanhas da comunicação. A maioria das figuras de linguagem trabalha com o sentido figurado das construções frasais, ou seja, um sentido conotativo, não literal.

Elas são classificadas em:

  • Figuras de pensamento – operam em função da combinação entre pensamentos e ideias (hipérbole, paradoxo e eufemismo);
  • Figuras de som ou harmonia – relacionadas à sonoridade das palavras (onomatopeia, assonância e aliteração);
  • Figuras de palavras ou semânticas – relativas aos significados das palavras (comparação, metáfora, sinestesia e metonímia);
  • Figuras de sintaxe ou construção – modificam a estrutura gramatical e frasal (zeugma, elipse e anáfora).

10 principais figuras de linguagem com conceitos e exemplos

Selecionamos as 10 principais figuras de linguagem que podem – e devem – ser utilizadas em suas produções textuais. Confira um pouco sobre o conceito de cada uma delas e exemplo para aplicação.

1. Eufemismo

Eufemismo é a figura de linguagem utilizada para amenizar um acontecimento ou um assunto e torná-lo menos impactante. Trata-se de uma figura de linguagem utilizada em textos nos quais os temas são fortes e/ou polêmicos, tais como o aborto ou a descriminalização da maconha.

Podemos dizer, ainda, que o eufemismo é uma figura de linguagem ligada à polidez e ao agrado.

Trocar “morte” por “falecimento” ou “um lugar melhor” são formas comuns de eufemismo que aplicamos no nosso cotidiano. Ou, ainda, a troca de “estar menstruada” para “naqueles dias”. Em ambos os casos o eufemismo é facultativo. Em uma produção textual, por exemplo, o uso de “naqueles dias” já não é bem-vindo. Podemos limitar o termo para nossas conversas cotidianas.

Exemplo: Márcia faltou com a verdade para com seu marido (eufemismo para “mentir”).

2. Hipérbole

Também conhecida como “auxese”, a hipérbole é a figura de linguagem contrária ao eufemismo; ela busca exagerar um acontecimento, ideia ou assunto. A ideia é trazer ênfase para um acontecimento com base nos sentimentos do sujeito da frase.

Se uma pessoa ficou algumas horas esperando uma resposta e, para ela, isso foi muito tempo, quando ela for contar o ocorrido para alguém, é possível que ela diga que ficou esperando “uma década” ou “um século”. O que, definitivamente, não aconteceu.

Exemplo: Morrendo de sede, Joana comprou uma água gelada e bebeu como se fosse a última coca-cola do deserto. (hipérbole para “muita sede”).

3. Comparação

Comparação é uma simples figura de linguagem que possui como finalidade equiparar dois ou mais objetos, sujeitos, tempos, acontecimentos e mais. A comparação é realizada como uma analogia explícita entre diferentes elementos, seguida de uma locução conjuntiva comparativa.

Exemplo: Eu gosto de doce tanto quanto salgado. (comparação entre “doce” e “salgado”).

4. Metáfora

Metáfora é uma figura de palavras ou semânticas com sentido próximo à figura comparativa. Mas, ao invés de falar “João está com uma fome igual de leão”, falamos “João está com fome de leão”. Podemos dizer que a metáfora é a figura de linguagem que transfere sentido de uma coisa para outra. Na prática, funciona mais ou menos assim:

Exemplo: Isabela terminou com o rapaz, pois tem um coração de gelo. (“coração de gelo” é metáfora para sem sentimentos, pouca empatia ou frieza).

5. Ironia

Ironia é a figura de linguagem que tem o intuito de gozação com o interlocutor. A ironia é utilizada para propor o inverso do que se afirma, ou seja, se uma pessoa te empurrou quando estava no ônibus e você diz “muita gentileza da sua parte!”, estamos lidando com uma frase irônica.

Exemplo: É tão bom quando você trabalha muito e ganha pouco (com base no que foi exposto, o sentido correto seria a troca de “bom” para “ruim”).

6. Pleonasmo

Pleonasmo é utilizado para intensificar uma frase por meio de repetições de termos com o mesmo sentido. Em geral, há dois tipos de pleonasmo: o literário e o vicioso. Enquanto o pleonasmo literário possui foco proposital de impactar o leitor sobre uma determinada situação, o vicioso refere-se ao nosso vício de linguagem: “sair para fora” e “entrar para dentro” são ótimos exemplos.

Nas figuras de linguagem, consideramos somente o pleonasmo literário. Portanto, nada de “subir para cima” na sua redação do ENEM, certo?!

Exemplo: A água salgada do mar limpava a alma de quem a entrava nela (as águas do mar são, por si só, salgadas, sem necessidade de acréscimo no adjetivo).

7. Analogia

A analogia é a figura de linguagem com objetivo de semelhança e comparação. Em muitos casos, são necessários conectivos para que a frase funcione. A analogia é uma ótima alternativa para introduzir os assuntos à sua redação, ou seja, quando você for falar sobre a desigualdade social no Brasil, por exemplo, e conhecer alguma obra que aborde o tema, explore estes dois pontos na sua redação. Acredite, isso facilitará ainda mais sua produção textual.

Exemplo: O que um pincel é para um pintor, o conhecimento é para o professor (analogia entre dois instrumentos profissionais).

A analogia é uma ótima estratégia de redação para o ENEM! Falamos mais sobre o assunto nesta publicação: “O que você precisa saber antes de fazer uma redação do ENEM“.

8. Paradoxo

O paradoxo é outra conhecida figura de linguagem que possui como objetivo a figura de pensamento, conhecida também como oximoro. Ela é utilizada para ideias, pensamentos e assuntos com sentidos contrastantes e contraditórios, podendo ser caracterizado como condicional, verídico ou falsídico.

Exemplo: Mateus e João estão em uma guerra pacífica no trabalho (paradoxo está entre “guerra” e “pacífica”, de sentidos contrários).

9. Sinestesia

Sinestesia é a figura de linguagem que utiliza das sensações percebidas pelo ser humano (audição, visão, olfato, tato e paladar). A conhecida música da dupla Sandy e Júnior é um ótimo exemplo de sinestesia, quando eles dizem: “Era uma vez, um lugarzinho no meio do nada, com sabor de chocolate e cheiro de terra molhada”.

Exemplo: Deu-lhe um beijo doce no cinema (a sinestesia, aqui, encontra-se no substantivo beijo e o adjetivo palatal “doce”).

10. Anáfora

A anáfora é utilizada por meio de conectivos para retomar o sentido inicial da frase. Diferente do pleonasmo, a anáfora refere-se à repetição da mesma palavra propositalmente. Ela é amplamente utilizada em músicas e obras literárias para dar um ar de dramaticidade à construção.

Exemplo: Naquela casa não havia água, nem energia, nem comida, nem afeto e nem felicidade. (anáfora de “nem” como foco na carência do lar).

Se bem utilizadas, todas as figuras de linguagem podem ser empregadas na sua redação do ENEM, pensando sempre no sentido que você quer passar ao leitor. Algumas delas são sempre bem-vindas e, outras, precisam de atenção para que não haja erros de aplicação. Via de regra, se você está em dúvidas, a melhor estratégia é descartá-las e continuar com a produção normal do texto.

Aproveite e veja também nossa publicação com dicas simples e práticas para tirar nota 1000 no ENEM!

Agora que você conhece as principais figuras de linguagem com exemplos assertivos, é hora de colocar em prática e aprimorar suas técnicas. Veja mais publicações em nosso blog e tenha acesso a mais dicas e informações sobre tudo o que envolve as produções textuais.

Até a próxima!

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