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Racismo Velado

Consoante a contora Elza Soares na música "A carne", "é a carne negra que vai de graça para o presídio, para debaixo do plástico e vai de graça para o sub-emprego". Para além da composição, a realidade do racismo velado, que não escraviza o negro, mas o leva às condições descritas por Elza, configura um grave problema social. Nesse sentido, trata-se de um impasse que compromete a ascenção negra na sociedade, sendo sua resolução comprometida por algumas questões como a falsa ideia de democracia racial.


Em primeiro plano, observa-se que o racismo velado configura um grave problema sociopolítico. Nesse sentido, não se trata de um preconceito escancarado, que agride e viola diretamente os negros, está arraigado nas estruturas, sendo veementemente mais perigoso, como pontua a ativista Angela Davis. Posto isso, 60% dos presidiários são negros, segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, enquanto a taxa de analfabetismo dos mesmos chega a ser 6.2% maior que a dos brancos. Tal contraste expõe que negros são suscetíveis a determinadas condições menos prováveis de serem vividas por não negros, o que influencia seu desenvolvimento individual e social. Logo, nota-se que, de fato, existe racismo, mas ele se esconde nas estruturas da sociedade e dificulta o progresso racial do Brasil.


Em segundo plano, verifica-se que algumas questões impedem a resolução do problema. De acordo com Gilberto Freyre, "o Brasil é a mais avançada democracia racial do mundo". No entanto, a difusão de tal ideia é uma das questões que alimentam o racismo velado, uma vez que defende que o país tenha escapado do racismo e que este foi superado, o que não é verdade considerando a realidade exposta. Além disso, a ausência de debates e consciência acerca da importância do negro na construção da identidade nacional dificulta a resolução do impasse, já que, de acordo com Immanuel Kant, "o ser humano não é nada além daquilo que a educação faz dele". Dessa forma, sem a devida educação a respeito da própria cultura, o brasileiro reproduz discretamente o racismo na sociedade.


Em virtude do que foi mencionado, o Ministério da Educação deve promover a conscientização no tocante às questões raciais nas escolas por meio da introdução de disciplinas obrigatórias no que tange à relevância do negro na sociedade. Tal medida resultará na maior ciência acerca da importância dos grandes formadores da cultura nacional, reduzindo gradativamente sua marginalização e contribuindo para a construção de um país que, de fato, seja racialmente democrático. Desse modo, os caminhos para combater o racismo velado serão trilhados e a realidade da sociedade se afastará da música "A carne".

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