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Desafios éticos e morais da Inteligência Artificial

            Consoante a Constituição Federal de 1988, em seu artigo terceiro, compete ao Estado garantir o desenvolvimento nacional. No entanto, quando se observam os desafios éticos e morais no que se refere à utilização da Inteligência Artificial, no Brasil, atualmente, nota-se que, em razão dos impactos inerentes a essa tecnologia, tal recurso encontra dificuldades à sua inserção em meio coletivo, fato que, por sua vez, pode significar a não garantia de um direito previsto na Carta Magna brasileira.


            A princípio, cabe pontuar que parte das discussões morais e éticas acerca da Inteligência Artificial está voltada à possibilidade de substituição do trabalho humano por computadores “inteligentes”, situação essa que é responsável por gerar medo em meio coletivo. Nesse sentido, ao se analisar diferentes contextos históricos, percebe-se que a ascensão de determinadas tecnologias pode, sim, substituir o trabalho humano, porém, de maneira intrínseca a isso, novas atividades produtivas são criadas. Uma prova disso ocorreu na Primeira Revolução Industrial, na qual máquinas substituíram, em grande parcela, o trabalho manufaturado e, por conseguinte, novas funções laborais foram criadas nas indústrias. Além do mais, vale ressaltar que a troca em massa do trabalho humano promoveria uma crise sem precedentes, posto que sem empregos não há mercado consumidor. Desse modo, infere-se que tais discussões, apesar de pertinentes, mostram-se prescindíveis no que tange à questão trabalhista.


            Além disso, convém frisar que os princípios éticos visam garantir o bem-estar da coletividade. Nesse âmbito, a Inteligência Artificial é capaz de atuar em prol dessa causa, haja vista que sua utilização nos setores da saúde, educação e de mobilidade promovem inúmeros benefícios à sociedade. Comprova-se isso ao verificar tecnologias como a plataforma “Watson Health”, da empresa norte-americana IBM, que usa a inteligência artificial para auxiliar médicos em diagnósticos clínicos, em virtude de sua agilidade na coleta de informações que otimizam as decisões do profissional. Dessa forma, depreende-se que tal ferramenta tecnológica pode ser fundamental ao desenvolvimento nacional em seus mais diversos âmbitos.


            Logo, a partir dos argumentos mencionados, é imprescindível que o Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério da Ciência e Tecnologia, crie projetos que visem solucionar os desafios éticos e morais que envolvem a tecnologia em questão. Com base nessa premissa, é primordial que ocorra a criação de campanhas de esclarecimento popular acerca dessa nova ferramenta, nas quais, por intermédio de palestras e debates periódicos em escolas de todo o país, autoridades da área tecnológica busquem dialogar e informar a população sobre os impactos da Inteligência Artificial em meio coletivo, a fim de que a sociedade participe ativamente das discussões que circundam essa temática e, então, atue na busca por decisões éticas. Tudo isso com o propósito de que o tecido social, enfim, se beneficie de um direito constitucional e indispensável ao bem-estar da coletividade – a garantia do desenvolvimento integral da nação.

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